Parlamento de Israel vota anexação da Cisjordânia
Números preliminares no Knesset sinalizam pressão por soberania total, e contrariam a linha do governo Binyamin Netanyahu em meio a tensões com os EUA
O Parlamento israelense aprovou nesta quarta-feira, 22, em caráter preliminar, dois projetos de lei para anexar formalmente a Cisjordânia, um território palestino sob ocupação militar desde 1967. As propostas ganharam força com os partidos à direita da coalizão de governo e pela oposição de centro, com o objetivo de aplicar a soberania de Israel sobre a região, como resposta ao reconhecimento internacional do Estado da Palestina.
Embora tenham sido aprovadas em votação inicial, o governo de Binyamin Netanyahu sinalizou que tentará barrar as propostas, com o objetivo de evitar mais um desgaste diplomático, desta vez com os Estados Unidos. O vice-presidente americano, J. D. Vance, está no país com a missão de impedir que o governo Binyamin Netanyahu abandone o cessar-fogo com o Hamas na Faixa de Gaza.
Controvérsias legislativas e possível racha na coalizão
O processo legislativo exige que os projetos passem por mais três sessões de votação no Knesset, como é conhecido o Parlamento israelense, para se tornarem lei. A primeira proposta visa aplicar a “lei, Justiça, administração e soberania” sobre toda a Cisjordânia, sem exceções. Atualmente, no território existem zonas governadas em parte pela Autoridade Palestina, embora Israel mantenha o controle de segurança e militar.
Esta primeira iniciativa obteve aprovação apertada, registrando 25 votos favoráveis e 24 contrários. O resultado dependeu do voto decisivo de Yuli Edelstein, um membro do Likud, partido do premiê Netanyahu. Edelstein agiu em violação à orientação de abstenção estabelecida para a bancada do Likud.
Como consequência dessa desobediência, o Likud planeja remover Edelstein da influente Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Parlamento. O partido também se comprometeu a trabalhar ativamente para garantir a derrota deste projeto em futuras votações.
Após a votação, Edelstein defendeu sua ação: “A soberania de Israel em toda a nossa terra natal é a questão premente do momento”. Ele complementou que, se seu erro foi defender o território de Israel e votar pela aplicação de soberania na Judeia e Samaria, ele sente orgulho.
O debate em torno da soberania e a política externa
O Likud, no entanto, minimizou a aprovação, dizendo em nota oficial que tudo “não passa de uma manobra da oposição para prejudicar nossas relações diplomáticas com os Estados Unidos”. A declaração foi feita apesar do apoio que a medida recebeu de membros da própria base política do partido.
Embora desaprove a ação imediata, o Likud não rejeitou totalmente a ambição de anexar a Cisjordânia em um momento posterior. O partido argumentou que a soberania real será alcançada por meio de “trabalho concreto e da criação de condições políticas para o reconhecimento de nossa soberania”, não através de uma legislação simbólica.
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