Paramount se posiciona contra boicote a Israel
Mais de 4 mil artistas, incluindo Emma Stone, Mark Ruffalo e Joaquin Phoenix, se comprometeram a não colaborar com instituições cinematográficas israelenses
A Paramount afirmou não concordar com o boicote promovido por profissionais da indústria cinematográfica contra instituições israelenses consideradas envolvidas em atos de “genocídio e apartheid contra o povo palestino”.
O boicote foi liderado pela organização Film Workers for Palestine e já conta com mais de 4 mil assinaturas, incluindo diretores e atores como Emma Stone, Joaquin Phoenix, Olivia Colman, Mark Ruffalo, Ava DuVernay e Jonathan Glazer.
Em nota, a Paramount afirmou que “a indústria global do entretenimento deve incentivar artistas a contar suas histórias e compartilhar suas ideias com o público ao redor do mundo”.
“Acreditamos no poder da narrativa para conectar e inspirar pessoas, promover compreensão mútua e preservar os momentos, ideias e eventos que moldam o mundo que compartilhamos”, afirmou o estúdio.
“Silenciar artistas criativos individuais com base em sua nacionalidade não promove melhor entendimento nem avança a causa da paz.”
A Film Workers for Palestine afirmou que o boicote não tem como alvo indivíduos, mas “instituições e empresas cinematográficas israelenses cúmplices”. A organização afirmou ainda esperar que a Paramount não esteja “deturpando o compromisso na tentativa de silenciar nossos colegas da indústria cinematográfica”.
O grupo também criticou a relação do bilionário Larry Ellison, dono da Paramount, com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, e afirmou que “até hoje, quase nenhuma instituição israelense cumpriu a exigência de acabar com a cumplicidade no genocídio e no apartheid e de endossar os direitos plenos do povo palestino segundo o direito internacional”.
“Profundamente preocupante”
O compromisso estabelecido pelos profissionais proíbe a projeção de filmes ou qualquer forma de colaboração com entidades israelenses que “justificam o genocídio e a segregação e/ou são parceiras do governo responsável por tal”.
As consequências mais diretas do boicote recaem sobre os festivais de cinema sediados em Israel. Produtoras e distribuidoras com presença no país também devem sentir os efeitos da medida.
Representantes da indústria cinematográfica de Israel também se manifestaram contra o boicote. Nadav Ben Simon, presidente do sindicato de roteiristas de Israel, disse ao jornal britânico The Guardian que a iniciativa é “profundamente preocupante e contraproducente” e que prejudica os criadores israelenses sem promover diálogo ou paz.
“Por décadas, criadores, artistas e contadores de histórias israelenses — eu incluso — dedicamos nosso trabalho a refletir a complexidade da nossa realidade”, afirmou Nadav Ben Simon.
“Temos constantemente dado voz a narrativas palestinas, críticas às políticas governamentais e às diversas perspectivas que moldam nossa sociedade”, acrescentou.
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