Nova York proíbe novos data centers por um ano
Governadora assina decreto que barra instalações acima de 50 megawatts em meio a temores sobre energia e água
Nova York vai suspender a construção de novos data centers com potência superior a 50 megawatts. É o primeiro estado americano a adotar essa medida. A decisão, formalizada por decreto da governadora Kathy Hochul, interrompe a análise de novas solicitações de licença e paralisa também os pedidos já em tramitação. Empreendimentos existentes não serão atingidos pela restrição, que deve durar 12 meses.
Justificativa energética
Segundo o Financial Times, Hochul afirmou que o ritmo de expansão do setor gerou uma pressão inédita sobre recursos hídricos e elétricos, com potencial de encarecer as tarifas públicas: “Antes que isso vá mais longe, preciso de salvaguardas para proteger os nova-iorquinos”.
Durante o período de suspensão, o governo pretende elaborar regras para resguardar consumidores de serviços públicos e mensurar os efeitos ambientais desses projetos. A medida representa uma posição intermediária: a Assembleia havia aprovado um texto mais restritivo, que abrangeria instalações a partir de 20 MW.
De acordo com o Operador Independente do Sistema de Nova York, existem atualmente 12 gigawatts em pedidos pendentes na fila de conexão à rede elétrica do estado — volume próximo ao pico histórico de consumo de energia de Portugal. O estado concentra hoje 133 data centers, número inferior aos 637 registrados na Virgínia e aos 504 do Texas.
Movimento em outros estados
Catorze estados, entre eles Geórgia, Michigan e Pensilvânia, avaliam iniciativas semelhantes de contenção. No Maine, uma proposta de moratória foi vetada pela governadora Janet Mills, que deixará o cargo em breve. A Virgínia, maior polo mundial do setor, já aprovou um tributo sobre o consumo energético dessas estruturas.
Projeções da BloombergNEF indicam que a demanda energética de data centers no país deve saltar de 34,7 gigawatts em 2024 para 106 GW até 2035. Uma sondagem da consultoria Public First mostrou que apenas 26% dos americanos apoiam a expansão desses empreendimentos — índice de rejeição maior do que o observado em outros países.
No primeiro trimestre de 2026, ao menos 75 projetos, somando US$ 130 bilhões em investimentos, foram suspensos por resistência de comunidades locais. Um exemplo recente é o abandono, pela QTS, subsidiária da Blackstone, de um grande projeto no condado de Prince William, na Virgínia.
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