Nova regra em vigor proíbe motos com passageiros e multa pode chegar a R$ 2.100
Boato sobre multa de R$ 2.100 assusta condutores em redes sociais.
A proibição de garupa em motos viralizou nas redes sociais e deixou muitos motociclistas brasileiros preocupados com uma multa de R$ 2.100. A regra existe de verdade e está em vigor, mas foi adotada pelo Peru, não pelo Brasil, como parte de uma resposta urgente à violência urbana.
O que diz o decreto que proíbe motos com passageiro?
O governo peruano publicou o Decreto Supremo nº 002-2026-MTC, que entrou em vigor em 2026 e proíbe a circulação de motocicletas com dois ocupantes em áreas específicas de Lima e Callao, as duas maiores cidades do país. A motivação não é de trânsito.
A medida integra um estado de emergência em segurança pública. As autoridades peruanas identificaram a dupla em moto como um padrão recorrente em crimes violentos, incluindo extorsões, assaltos e homicídios por encomenda. A restrição foi a resposta imediata a essa escalada.
Os detalhes do decreto, lado a lado:
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Base legal | Decreto Supremo nº 002-2026-MTC |
| Vigência | A partir de 2026 |
| O que proíbe | Motos com dois ocupantes |
| Onde se aplica | Lima e Callao |
| Motivação | Segurança pública |
| Crimes associados | Extorsão, assalto e homicídio por encomenda |
Qual é o valor da multa e como ela pode dobrar?
Quem descumprir a proibição paga 660 soles peruanos na primeira infração, o equivalente a cerca de R$ 1.050. Em caso de reincidência, o valor dobra e chega a 1.320 soles, aproximadamente R$ 2.100 na cotação atual. É essa segunda cifra que assustou os brasileiros.
Na prática, imagine um mototaxista de Lima que levava um ajudante para dividir o trajeto. Em um único dia, ele pode ter duas abordagens, pagar a primeira multa e ainda acumular a reincidência. Em menos de 24 horas, o custo total chega a R$ 3.150.
Quem realmente é prejudicado por essa proibição?
A medida não atingiu apenas os criminosos. Mototaxistas, entregadores de aplicativo e famílias que usam a garupa como único meio de transporte foram diretamente afetados. No Peru, a motocicleta não é luxo, é ferramenta de trabalho diário para milhões de pessoas.
Sindicatos do setor em Lima relataram aumento de custos operacionais e pressão por exceções à regra. Quem usa moto para buscar o filho na escola ou levar um colega ao trabalho passou a cometer infração sem nem perceber.
Os grupos que mais sentiram o impacto:
- Mototaxistas: impossibilitados de transportar passageiros nas áreas restritas
- Entregadores: que levavam ajudantes para agilizar as entregas
- Famílias: sem alternativa de transporte coletivo acessível próximo
- Trabalhadores informais: que dependem de carona em moto no deslocamento diário
- Pequenos comerciantes: com rotas de distribuição reorganizadas à força
Por que o Peru chegou a esse ponto com as motos?
Peru enfrenta uma grave crise de segurança urbana. Duplas em motocicleta tornaram-se o principal modelo operacional de grupos criminosos em Lima e Callao, com crimes que vão da extorsão ao assassinato por encomenda. A proibição veio como resposta de emergência, não como política de trânsito planejada.
Outros países da América Latina já adotaram restrições semelhantes durante surtos de violência urbana. O resultado costuma ser queda nos crimes de oportunidade, mas o impacto sobre os trabalhadores que dependem da moto é sempre imediato e pesado.

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A garupa em motos ainda é liberada no Brasil?
No Brasil, a garupa continua autorizada. A legislação não restringe o número de passageiros, apenas exige condições mínimas de segurança. O artigo 244 do Código de Trânsito Brasileiro e a Resolução 940/22 do Contran estabelecem as regras para o transporte de passageiro em motocicleta, incluindo capacete com certificação do Inmetro e assento traseiro com apoio para os pés.
O caso peruano mostra como desinformação viaja rápido: uma regra estrangeira ganhou moldura brasileira e virou alerta falso para motociclistas. Antes de repassar qualquer norma de trânsito, checar diretamente no portal do Senatran ou no texto do Código de Trânsito evita confusão e decisão errada.
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