“Nossa gratidão ao povo americano é enorme”, diz María Corina
Em entrevista à CBS News, líder da oposição aponta mudança de cenário na Venezuela após captura de Maduro
María Corina Machado (foto), líder da oposição venezuelana, afirmou que a pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos, é decisiva para a transição política na Venezuela.
Em entrevista ao programa Face The Nation, da CBS News, exibida neste domingo, 1º, Machado afirmou que o cenário no país começou a mudar após a captura de Nicolás Maduro.
“Em nome do povo venezuelano, nossa gratidão ao povo americano é enorme, especialmente ao presidente Trump, ao secretário de Estado e aos líderes do Congresso”, disse.
Para ela, a atuação da atual líder, Delcy Rodríguez, reflete diretamente essa pressão externa.
“Tudo o que Delcy Rodríguez está fazendo atualmente é porque cumpre instruções que recebe dos Estados Unidos, e passos importantes estão sendo dados.”
A opositora afirmou não manter diálogo direto com a atual administração chavista. “Não, não diretamente”, respondeu. Ela lembrou que, após a vitória da oposição nas eleições de 2024, propôs uma transição negociada, rejeitada pelo regime.
“Eles se recusaram e responderam com uma onda repressiva”, afirmou.
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Presos políticos e transição
Machado também comentou sobre os presos políticos disse que a situação é um principais entraves à normalização institucional.
“Em 1º de janeiro havia mais de mil políticos”, disse, número que teria caído para pouco mais de 700. Alguns detidos, como três policiais da Polícia Metropolitana, estão “há vinte e três anos na prisão”.
“As mães de muitos desses inocentes permaneceram em vigília por mais de vinte e três dias e noites.”
Para ela, o processo de transição precisa culminar em eleições livres.
“O que queremos, pelo que o povo venezuelano lutou e se sacrificou, coincide com o desejo do governo dos Estados Unidos e do presidente Trump.”
Sobre o regime chavista, afirmou:.
“Esta é uma estrutura criminosa que se entrelaçou com inimigos do Ocidente: Rússia, Irã, China, Cuba, organizações terroristas, cartéis, guerrilha.”
María Corina afirmou que o objetivo é desmontar esse sistema e restabelecer instituições legítimas. Segundo ela, o país precisa eleger novamente “um poder legítimo: Assembleia Nacional, governadores, prefeitos e, claro, presidente”.
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Petróleo
A líder oposicionista também rejeitou decisões da atual Assembleia Nacional, como a privatização do setor petrolífero.
“Não reconheço a Assembleia Nacional como poder legítimo. Ela não foi reconhecida nem pelo povo venezuelano nem pelo governo dos Estados Unidos.”
Defendeu a propriedade privada, mas condicionada a garantias institucionais. “Não queremos socialismo, nem que o Estado seja dono de todos os centros de produção.”
Sobre o alívio parcial das sanções anunciado por Trump, afirmou que são “sinais ao regime” e que o retorno da diáspora só ocorrerá com segurança e liberdade.
“O regime sabe que nenhum cidadão voltaria a um país ainda controlado por Maduro e pelo cartel.”
Disse ainda não temer um eventual retorno ao país.
“Agora, não acredito que se atrevam a me matar por causa da presença e da pressão dos Estados Unidos.”
Por fim, reafirmou sua disposição de disputar o poder.
“Serei presidente quando chegar o momento. Mas isso deve ser decidido pelo povo venezuelano em eleições.”
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