MSC se junta à Costa, Royal Caribbean e à Norwegian e cancela todas as rotas pelo Mediterrâneo; brasileiros já estavam com viagem marcada
Cruzeiros cancelados no Mediterrâneo Oriental: o que fazer se sua viagem foi afetada
Desde o fim de 2023, a instabilidade geopolítica no Oriente Médio mudou o mapa das grandes operadoras de cruzeiro. MSC Cruzeiros, Costa Cruzeiros, Royal Caribbean e Norwegian Cruise Line cancelaram ou reformularam rotas que passavam por Israel, Egito, Jordânia e Chipre, e o rastro dessas decisões chega diretamente à carteira e ao planejamento do viajante brasileiro. Entender o que está acontecendo e quais alternativas existem pode transformar uma decepção em uma oportunidade de descobrir itinerários que você talvez nunca tivesse considerado.
Por que as operadoras estão abandonando o Mediterrâneo Oriental?
A resposta curta é segurança. Ataques de grupos houthis a embarcações comerciais no estreito de Bab el-Mandeb tornaram o trânsito pelo Mar Vermelho inviável para navios de passageiros desde o final de 2023, segundo o portal especializado Portal WorldCruises. Sem essa passagem, chegar ao Mediterrâneo Oriental a partir do Golfo Árabe exige contornar o continente africano, o que adiciona semanas de navegação e inviabiliza comercialmente os roteiros.
O impacto vai além do logístico. A MSC cancelou em setembro de 2025 a Grand Voyage do MSC Euribia partindo de Dubai em abril de 2026, citando que “a situação geopolítica em curso não permite garantir trânsito seguro pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez”, conforme reportado pela Cruise Hive. Foi o segundo cancelamento consecutivo de um roteiro similar pelo mesmo navio.

Quais destinos ficaram fora do mapa dos cruzeiros?
A suspensão das rotas derrubou escalas que estavam entre as mais procuradas por quem embarcava em direção ao leste do Mediterrâneo. Os portos mais afetados pela reestruturação dos itinerários foram:
- Haifa (Israel) — removida dos roteiros da MSC a partir de outubro de 2023, substituída por Istambul
- Limassol (Chipre) — retirada junto com Haifa; Izmir, na Turquia, passou a ocupar o lugar no itinerário
- Aqaba (Jordânia) — eliminada de Grand Voyages que transitavam o Canal de Suez
- Alexandria (Egito) — fora das rotas que dependiam do trânsito pelo Canal
- Dubai e Abu Dhabi (EAU) — Costa e AIDA cancelaram toda a temporada 2025/2026 nos Emirados
O impacto para os países receptores é considerável. Israel acumula perdas turísticas estimadas em cerca de US$ 3,4 bilhões desde outubro de 2023, com chegadas que caíram mais de 90% durante os períodos de maior tensão, segundo levantamento publicado pelo Travel and Tour World. A Jordânia registrou queda igualmente expressiva: os visitantes estrangeiros a Petra passaram de 692 mil para 175 mil no mesmo período de comparação.
O que acontece com quem já tem embarque confirmado?
As operadoras têm oferecido dois caminhos principais aos passageiros com reservas nos roteiros cancelados. O primeiro é o reembolso integral dos valores pagos pelo cruzeiro em si. O segundo é o desvio de rota, com o passageiro sendo realocado em um itinerário alternativo, normalmente no Mediterrâneo Ocidental ou no Atlântico.
A experiência varia de acordo com cada companhia. A MSC estabeleceu prazo até setembro de 2025 para que passageiros afetados pelo cancelamento do MSC Euribia entrassem em contato com a operadora ou com a agência de viagens para formalizar sua opção. Já a Explora Journeys ofereceu crédito de US$ 500 por viajante para excursões e desconto de 10% em novas reservas realizadas até abril de 2026. Um ponto de atenção: voos e hospedagens reservados fora do pacote do cruzeiro geralmente não são cobertos pela política de compensação das operadoras.

Quais rotas alternativas estão sendo oferecidas?
A redistribuição da capacidade das frotas criou uma oferta mais ampla em regiões que antes disputavam menos espaço nos catálogos. Os destinos que ganharam navios adicionais formam um mapa variado, com opções para diferentes perfis de viajante.
| Região alternativa | Portos de destaque | Perfil de viagem |
|---|---|---|
| Mediterrâneo Ocidental | Barcelona, Marselha, Palermo, Ibiza, Valletta | Cultura, gastronomia, praias |
| Norte da Europa | Fiordes noruegueses, Islândia, Báltico, Copenhague | Natureza, cidades históricas |
| Ilhas Canárias e Madeira | Tenerife, Las Palmas, Funchal | Clima ameno, paisagens vulcânicas |
| Transatlântico (Europa-Brasil) | Lisboa, Barcelona, Gênova, Santos, Rio de Janeiro | Longa duração, tempo a bordo |
| Caribe | Bahamas, República Dominicana, México, Porto Rico | Praias, entretenimento, famílias |
Vale repensar o destino ou esperar o Oriente Médio reabrir?
A resposta depende do horizonte de planejamento. As operadoras que ainda mantêm planos para a região, como a Explora Journeys, projetam retorno ao Mar Vermelho apenas para a temporada 2027/2028. A instabilidade no Oriente Médio, que se agravou com o fechamento do espaço aéreo de vários países da região, não aponta para uma normalização rápida dos roteiros marítimos.
Para quem tinha o Mediterrâneo Oriental como sonho de viagem, o Norte da Europa e as rotas transatlânticas com escalas em Portugal, Espanha e Itália oferecem uma alternativa real de imersão cultural com conforto similar. O viajante que decide não esperar costuma encontrar nas rotas alternativas uma experiência tão memorável quanto a original, e por vezes a preços mais acessíveis, já que a demanda nesses itinerários substitutos ainda está em fase de absorção da nova oferta.
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