Militares anunciam destituição do presidente de Benim
Forças Armadas frustraram a tentativa de golpe de Estado, segundo ministro do Interior
Um grupo de militares do Benim anunciou neste domingo, 7, a destituição do presidente Patrice Talon, no poder desde 2016. O pronunciamento foi feito na televisão estatal pelo autodenominado Comitê Militar para a Refundação (CMR), que afirmou ter removido Talon de suas funções. O paradeiro do presidente ainda era desconhecido na manhã de domingo.
O presidente, de 67 anos, deveria deixar o cargo em abril de 2026. O pleito para sua sucessão estava marcado, com o ex-ministro das Finanças Romuald Wadagni, do partido de Talon, como favorito. A oposição, representada por Renaud Agbodjo, foi excluída da disputa por falta de apoios suficientes.
O CMR afirmou que a destituição visava “restaurar a ordem nacional” e pôr fim aos “desvios institucionais”, sem detalhar o apoio dentro das forças armadas.
Soldados bloquearam o acesso à Presidência e à televisão estatal, além de outras regiões da capital, incluindo hotéis e bairros com instituições internacionais.
Apesar disso, não havia presença militar no aeroporto nem em outros pontos da cidade.
Planos frustrados
As Forças Armadas do Benim, aliadas de Talon, frustraram a tentativa de golpe de Estado, segundo o ministro do Interior, Alassane Seidou.
O chanceler Olushegun Adjadi Bakari afirmou que apenas um pequeno grupo tentou o golpe, enquanto a maioria das tropas permaneceu leal a Talon. O sinal da TV estatal foi cortado e o presidente está seguro, segundo disse.
A presidência informou que a situação estava sob controle:
“É apenas uma questão de tempo até que tudo volte ao normal. A limpeza está avançando bem”, disse o gabinete de Talon à AFP.
A embaixada da França no país confirmou ter ouvido disparos próximos à residência oficial do presidente, em Camp Guezo, e recomendou que cidadãos franceses permanecessem em casa por motivos de segurança.
Instabilidade na África Ocidental
O episódio ocorre em um contexto de instabilidade na África Ocidental.
Na semana passada, militares tomaram o poder na Guiné-Bissau, destituindo o presidente Umaro Sissoco Embaló, suspendendo os resultados das eleições de 23 de novembro e nomeando o general Horta Inta-A como presidente de transição por um ano.
Países vizinhos, como Níger e Burkina Faso, também enfrentaram golpes recentemente.
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