Rodolfo Borges na Crusoé: Onde os colorados não têm vez
Abel Braga falou uma língua antiga e ultrapassada na tentativa de animar o Internacional, e os tempos não perdoam
Abel Braga (foto) retornou ao Internacional pela oitava vez para tentar salvar o clube de um novo rebaixamento. O treinador, que tinha anunciado a aposentadoria em 2022, chegou para acalmar os ânimos, e acabou tumultuando o ambiente ao criticar a camisa rosa do Inter.
“Eu não quero mais a porra do meu time treinando de camisa rosa, que parece time de viado”, disse Abel logo na sua apresentação, tentando descontrair o ambiente. Contraiu, ao contrário.
E teve de pedir desculpas, em nota desengonçada publicada em suas redes sociais:
“Colorados e Coloradas, em primeiro lugar reconheço que não fiz uma colocação boa sobre a cor rosa durante a minha coletiva. Antes que isso se prolifere, peço desculpas. Cores não definem gêneros. O que define é caráter. O Internacional precisa de paz e muito trabalho. Vamo, vamo Inter!”
Abel foi ainda mais destrambelhado quando, após a derrota por 3 a 0 para o São Paulo na Vila Belmiro, em sua reestreia no comando do Inter, disse que não pode ser homofóbico, pois perdeu um filho de 19 anos. Ninguém entendeu nada.
Os veteranos
“Sempre gosto de ouvir histórias sobre os veteranos. Nunca perdi uma oportunidade de fazer isso”, diz o velho xerife Ed Tom Bell enquanto investiga matanças pelo Texas em Onde os velhos não têm vez (Alfaguara), de Cormac McCarthy, que se popularizou no Brasil como Onde os fracos não têm vez, pelo filme dos irmãos Coen, com Javier Barden no papel do psicopata Anton Chigurh.
Abel Braga está com 73 anos. Tem muito tempo de vida ainda, mas obviamente usa uma linguagem antiga do futebol. É um linguagem que ainda existe, mas não pode ser usada em público, diante das câmeras, muito menos durante uma entrevista coletiva de apresentação de treinador.
O futebol continua sendo um ambiente de virilidade, apesar de as mulheres também jogarem agora. Aliás, o futebol é um ambiente viril também entre as mulheres, guardadas as devidas proporções — inclusive de definição —, como em qualquer esporte de alto rendimento.
Ex-ex-treinador
Era disso que Abel tratava, numa linguagem que hoje se traduz em foco, empenho, intensidade, comprometimento ou qualquer outro termo genérico popularizado pela cultura dos coaches.
“Jack costumava dizer que ser xerife era um dos melhores empregos que alguém poderia ter, e ser ex-xerife, um dos piores”, filosofa o xerife de McCartthy.
O velho Abel Braga terá um dos maiores desafios de sua carreia neste domingo, 7, quando o Internacional recebe…
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Comentários (1)
Ita
08.12.2025 15:13O mundo está cada vez mais idiota depois dessa tal ideologia "woke" mas também, parece, que já se está cansando dela. felizmente.