Meta é condenada a pagar US$ 375 mi por expor menores a predadores sexuais
Júri do Novo México responsabiliza empresa pelos danos causados por algoritmos que direcionavam adultos a perfis de adolescentes nas redes sociais
Um júri do estado do Novo México, nos Estados Unidos, declarou a Meta, controladora do Facebook e do Instagram, legalmente responsável por expor menores de idade a predadores sexuais em suas plataformas digitais. A empresa foi condenada nesta terça-feira, 24, a pagar US$ 375 milhões em indenizações, valor bastante inferior aos mais de US$ 2 bilhões exigidos pelo estado.
O veredito encerra seis semanas de julgamento em Santa Fé, durante as quais promotores apresentaram provas de que os sistemas de recomendação da companhia direcionavam adultos para conteúdo publicado por usuários adolescentes, enquanto a empresa teria suprimido conclusões internas sobre os riscos às crianças.
Operação encoberta e precedente jurídico
O processo teve origem em 2023, quando o procurador-geral do estado, Raúl Torrez, ajuizou uma ação contra a Meta após uma investigação sigilosa. A operação consistiu na criação de um perfil falso de uma menina de 13 anos nas redes sociais. Segundo Torrez, a conta foi rapidamente alvo de imagens e abordagens de abusadores de menores.
Ao longo do julgamento, foram ouvidas 40 testemunhas, entre elas funcionários da empresa, e analisados centenas de documentos, e-mails e relatórios internos. O caso é considerado um dos primeiros envolvendo plataformas de mídia social e proteção infantil a chegar a um veredicto de júri nos Estados Unidos.
“O veredito do júri é uma vitória para todas as crianças e famílias que pagaram o preço pela escolha da Meta de colocar os lucros acima da segurança dos menores”, afirmou Torrez em comunicado. “Os executivos da Meta sabiam que seus produtos prejudicavam as crianças, ignoraram alertas de seus próprios funcionários e mentiram ao público sobre o que sabiam. Hoje, o júri se juntou a famílias, educadores e especialistas em segurança infantil para dizer: já basta”.
Empresa vai recorrer
A Meta anunciou que vai contestar a decisão na Justiça. “Respeitosamente, não concordamos com o veredicto e vamos apelar. Trabalhamos arduamente para manter as pessoas seguras em nossas plataformas e somos claros quanto à complexidade de identificar e remover agentes mal-intencionados ou conteúdos prejudiciais”, disse um porta-voz da empresa.
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