Meloni na ONU: Israel rompeu “princípio de proporcionalidade”, mas “foi o Hamas que começou a guerra”
Em seu discurso na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, a primeira-ministra Giorgia Meloni tratou dos “principais conflitos em curso”
Em seu discurso na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, a primeira-ministra Giorgia Meloni começou tratando dos “principais conflitos em curso”, a saber, a “a guerra de agressão em larga escala da Rússia contra a Ucrânia” e a guerra iniciada pelo ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.
“Há três anos e meio, em 24 de fevereiro de 2022, Moscou decidiu atacar Kiev”, lembrou Meloni. E Continuou: “a Federação Russa, membro permanente do Conselho de Segurança, deliberadamente violou o Artigo 2 da Carta da ONU, violando a integridade e a independência política de outro Estado soberano, com a intenção de anexar seu território. E, mesmo hoje, não demonstra disposição para aceitar seriamente qualquer convite para se sentar à mesa da paz”.
Essa profunda ferida infligida ao direito internacional, como era previsível, desencadeou efeitos desestabilizadores muito além das fronteiras dentro das quais essa guerra está sendo travada. O conflito na Ucrânia reacendeu e detonou vários outros focos de tensão. Enquanto isso, as Nações Unidas se desintegraram ainda mais”.
Israel e Hamas
Embora tenha criticado Israel por ter cruzado a linha com uma resposta desproporcional em Gaza, Meloni enfatizou a culpabilidade do grupo terrorista Hamas tanto pelo início da guerra quanto pela sua continuidade:
“Não é por acaso que o Hamas aproveitou o enfraquecimento dessa estrutura para lançar seu ataque contra Israel em 7 de outubro de 2023. A ferocidade e a brutalidade desse ataque — a caça a civis indefesos — levaram Israel a reagir, em princípio, legitimamente. Porque todo Estado e todo povo têm o direito de se defender.
Mas a resposta a um ataque deve sempre respeitar o princípio da proporcionalidade. Isso se aplica a indivíduos e, mais ainda, a Estados. E Israel cruzou essa linha, com uma guerra em larga escala que envolve desproporcionalmente a população civil palestina.
E é nessa linha que o Estado judeu acabou violando as normas humanitárias, causando um massacre entre civis.Uma escolha que a Itália repetidamente chamou de inaceitável e que levará ao nosso voto favorável a algumas das sanções propostas pela Comissão Europeia contra Israel.
Mas não nos juntamos àqueles que colocam toda a responsabilidade pelo que está acontecendo em Gaza em Israel. Porque foi o Hamas que começou a guerra. É o Hamas que poderia acabar com o sofrimento dos palestinos libertando imediatamente todos os reféns. É o Hamas que parece querer prosperar com o sofrimento do povo que afirma representar.
Israel deve escapar da armadilha desta guerra. Deve fazê-lo pela história do povo judeu, por sua democracia, pelos inocentes, pelos valores universais do mundo livre do qual faz parte. […]
A Itália está e estará disponível para qualquer pessoa disposta a trabalhar em um plano sério para a libertação dos reféns, um cessar-fogo permanente, a exclusão do Hamas de qualquer dinâmica de governo na Palestina, a retirada gradual de Israel de Gaza e o compromisso da comunidade internacional em administrar a fase pós-cessar-fogo, até que a visão de uma solução de dois Estados seja concretizada”.
Dois Estados
Meloni também reafirmou o compromisso da Itália com a solução dos Estados, mas elencou duas pré-condições para o reconhecimento da Palestina:
“Acreditamos que Israel não tem o direito de impedir a criação de um Estado palestino amanhã, nem de construir novos assentamentos na Cisjordânia para impedi-la. É por isso que assinamos a Declaração de Nova York sobre a Solução de Dois Estados. Esta é a posição histórica da Itália sobre a questão palestina, uma posição que nunca mudou.
Ao mesmo tempo, acreditamos que o reconhecimento da Palestina deve ter duas pré-condições essenciais: a libertação de todos os reféns israelenses e a renúncia do Hamas a qualquer papel na governança da Palestina. Porque aqueles que desencadearam o conflito não podem ser recompensados”.
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Comentários (4)
DANILLO LEITE HENRIQUE
25.09.2025 12:24Prado Junior, por que devemos acreditar na sua fonte? Vejo que são narrativas de antissemitas. A solução para dois estados partirá do momento em que os palestinos reconhecerem Israel como um estado soberano, coisa que as lideranças não querem fazer. Outra coisa, está acontecendo "Genocídio" no Sudão, Síria, alguns anos atrás no Yemen, mas o mundo não dá essa atenção da mesma forma como no conflito em Gaza. Não vejo ninguém saindo às ruas para protestar pela vida dos civis ucranianos que estão sendo massacrados pelos russos. Ou seja, há um jogo de narrativa, engraçado que os palestinos não são bem vistos pelos próprios países árabes, Egito tem um muro gigante na sua fronteira com Gaza, amigos meus libaneses têm ojeriza por esse povo, até árabes que circula no meu grupo não gosta dos palestinos por esses serem muito violentos. Outro detalhe, Catar e Irã financiando propagandas terroristas no ocidente inteiro, Pro Hamas. Ocidente é um lugar fértil para disseminar narrativas mentirosas, sem contar que é um SoftPower para desestabilizar uma sociedade. Antes de querer mudar o mundo, comece pela sua casa, sua nação, já que 26% do seu povo é controlado pelo narcotráfico. Foque primeiro no problema do seu País.
Prado Júnior
25.09.2025 11:35Outro ponto: O Anyagonista se esmerou em pinçar , dentre os discursos da assembleia geral da ONU, um que fosse mais amistoso an Israel . O autor até colocou em negrito que a guerra começou por conta do Hamas. Tolice. Essa guerra já dura décadas . Para que quer saber qual foi o tom real dos discursos na assembleia , o vídeo abaixo é uma boa amostra: “How Long?” – King Abdullah’s Fiery Speech on Gaza at UN General A... https://youtu.be/B0D-UeC-8v0?si=UHqqKUg-4p2gw9PE
Prado Júnior
25.09.2025 11:28Meloni tem muita afinidade com os EUA e deve ter sido a contra-gosto que ela criticou, levemente , diga-se de passagem , Israel. Mas a pressão dos italianos contra o genocídio em Gaza está aumentado (veja abaixo) e ficará cada vez mais difícil para meloni agradar aos dois lados. Italy: Thousands join pro-Palestinian protests, strikes Tens of thousands took part in the nationwide action in solidarity with Palestinians in Gaza. Clashes were reported in Milan, where about 60 police officers were hurt. https://www.dw.com/en/italy-thousands-join-pro-palestinian-protests-strikes/a-74100712
Ita
25.09.2025 10:37Eis uma posição realista, equilibrada, sem preconceito e sem extremismo.