Megaprédio de 1.040 apartamentos projetado por Ole Scheeren empilha 31 blocos residenciais como peças gigantes e cria uma cidade vertical em pleno terreno de 8 hectares
The Interlace reúne 1.040 apartamentos em 31 blocos empilhados, oito grandes pátios e jardins distribuídos por um terreno de 8 hectares.
O megaprédio residencial conhecido como The Interlace rompe com a lógica das torres isoladas de Singapura. Projetado pelo OMA sob liderança de Ole Scheeren, o conjunto reúne 1.040 apartamentos em 31 blocos de seis andares empilhados sobre um terreno de oito hectares.
Qual é o projeto que reúne 1.040 apartamentos em Singapura?
Trata-se do The Interlace, complexo residencial concluído em 2013 na região de Alexandra Road e Depot Road. Segundo o OMA, o projeto substitui o modelo convencional de torres separadas por uma rede de moradias, espaços compartilhados e áreas verdes interligadas.
O empreendimento ocupa oito hectares e possui aproximadamente 170 mil m² de área construída. São 1.040 residências, além de clube, áreas de lazer, espaços comerciais e estacionamento subterrâneo para cerca de 2.600 veículos.

Como Ole Scheeren transformou torres convencionais em blocos empilhados?
O projeto organiza 31 blocos residenciais de seis pavimentos, cada um com cerca de 70 metros de comprimento, em uma composição hexagonal. Em vez de crescer apenas para cima, os volumes são girados e sobrepostos em diferentes direções, criando aparência semelhante a grandes peças encaixadas.
Segundo o OMA, Ole Scheeren atuou como designer e sócio responsável pelo projeto. A disposição horizontal troca o isolamento das torres por conexões entre apartamentos, jardins, caminhos e espaços coletivos.
Como os 31 blocos formam uma espécie de cidade vertical?
Os volumes são distribuídos em quatro grandes níveis de empilhamento, com pontos que alcançam 24 pavimentos. Outros conjuntos variam entre seis e 18 andares, formando uma topografia escalonada que lembra mais uma paisagem construída do que um condomínio vertical convencional.
Os vazios entre os blocos permitem entrada de luz e circulação de ar. Ao mesmo tempo, o sistema cria oito grandes pátios internos e uma série de terraços, jardins elevados e percursos conectando diferentes partes do conjunto.
Os principais números ajudam a visualizar a escala do projeto:
Por que o projeto possui mais área verde do que o terreno livre?
O empilhamento multiplica superfícies utilizáveis acima do solo. Coberturas e terraços recebem jardins, enquanto os pátios mantêm grandes áreas paisagísticas no térreo. O projeto informa que essas superfícies verdes correspondem a 112% da área não construída do terreno.
Estudos de vento, insolação e iluminação natural orientaram a posição dos blocos. Corredores de vento passam por áreas com água para favorecer resfriamento evaporativo, enquanto o próprio empilhamento produz sombreamento nos pátios durante o clima tropical de Singapura.
A estratégia combina densidade residencial e paisagem em diferentes níveis:
Que reconhecimento internacional o The Interlace recebeu?
O projeto ganhou o inaugural CTBUH Urban Habitat Award em 2014 e foi escolhido World Building of the Year no World Architecture Festival de 2015. Em 2023, recebeu ainda o CTBUH 10 Year Award, voltado a obras que mantiveram relevância após uma década.
O Büro Ole Scheeren apresenta o conjunto como uma “vila vertical” de espaços residenciais e sociais integrados à natureza. Os reconhecimentos destacaram justamente como a arquitetura combina alta densidade, convivência e paisagem.
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O que diferencia o The Interlace de um conjunto convencional de torres?
A principal diferença está na organização do volume construído. Em vez de ocupar o terreno com torres independentes cercadas por áreas residuais, o projeto usa blocos horizontais sobrepostos para criar pátios, jardins, passagens, vistas cruzadas e diferentes níveis de convivência entre moradores.
Com 1.040 apartamentos e 31 blocos sobre oito hectares, o The Interlace demonstra como um empreendimento de alta densidade pode assumir forma quase territorial. A imagem de peças gigantes empilhadas nasce de uma estratégia que transforma edifícios separados em uma única paisagem residencial conectada.
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