María Corina culpa Maduro por mortes em ação militar no Caribe
Ganhadora do Nobel da Paz em 2025 reitera apoio à pressão externa e acusa o governo de instituir “terrorismo de Estado”
María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e Prêmio Nobel da Paz, responsabilizou o ditador Nicolás Maduro pelas consequências da presença militar dos Estados Unidos no mar do Caribe. A operação, relacionada ao combate ao narcotráfico, já resultou em oitenta fatalidades.
Em uma entrevista concedida à emissora norueguesa NRK, afirmou que o desdobramento das ações armadas poderia ter sido evitado caso Maduro tivesse aceitado se afastar do poder quando lhe foi proposto.
Ela acusou o governo de Caracas de ter estabelecido um sistema de “terrorismo de Estado” voltado contra a população e nações vizinhas.
Maduro balança mas se recusa a cair
María Corina lembrou que, após vencer as eleições por maioria expressiva, foi oferecida ao regime uma solução negociada para a crise política. Essa proposta incluía uma transição com garantias para a saída do poder.
Ela reiterou o seu apoio à pressão imposta pelos Estados Unidos contra o governo chavista e seu círculo próximo: “Luto para trazer paz ao meu país, mas aprendemos que, para haver paz, é necessária a democracia”.
Entrega do Nobel da Paz sob risco?
A poucos dias da cerimônia de premiação em Oslo, a participação da laureada não está garantida devido a receios de represálias por parte do regime venezuelano. A Procuradoria chavista alertou que ela pode ser classificada como fugitiva se deixar o país em razão de investigações em curso.
Jørgen Watne Frydnes, presidente do Comitê Nobel, comentou que a viagem é perigosa. Ele acredita que o regime da Venezuela “quer tirá-la de cena”.
O comitê manifestou a expectativa de que as condições de segurança da vencedora sejam asseguradas. Machado admitiu que o comparecimento seria “a maior honra” de sua vida.
Apesar do risco jurídico e político, ela se comprometeu com seus apoiadores. Caso consiga viajar, Machado prometeu: “Quero assegurar a todos os venezuelanos que voltarei”.
Tensão entre Venezuela e EUA aumenta
Os Estados Unidos intensificaram a presença militar na região. Na segunda-feira, 1º, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que o almirante Mitch Bradley deu autorização para um segundo ataque contra embarcações que, segundo Washington, transportavam drogas no mar do Caribe, o que teria resultado na morte de sobreviventes do primeiro bombardeio. Anteriormente, tais informações eram negadas.
Leavitt afirmou que o almirante Bradley “agiu dentro dos limites de sua autoridade e da lei que regeu a operação, garantindo a destruição da embarcação e a eliminação da ameaça aos Estados Unidos da América”.
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