Casa Branca confirma ataque que matou sobreviventes no Caribe
Congresso pede investigação de bombardeio que vitimou náufragos; Karoline Leavitt, porta-voz do governo, defende legalidade da ação
Os EUA admitiram nesta segunda-feira, 1º, a autorização para um segundo ataque contra embarcações que, segundo Washington, transportavam drogas no mar do Caribe, o que teria resultado na morte de sobreviventes do primeiro bombardeio. Anteriormente, tais informações eram negadas.
Questionada por jornalistas, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que o almirante Mitch Bradley foi o responsável pela ordem do segundo ataque.
Leavitt afirmou que o almirante Bradley “agiu dentro dos limites de sua autoridade e da lei que regeu a operação, garantindo a destruição da embarcação e a eliminação da ameaça aos Estados Unidos da América”.
Congresso e imprensa questionam legalidade da ação
Detalhes revelados pela imprensa americana indicam a possível ilegalidade da ação militar. Uma reportagem do The Washington Post, publicada na sexta-feira, 28, revelou que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, teria dado uma ordem para “matar todos” a bordo.
O jornal informou ainda que, após o primeiro ataque, dois náufragos se agarravam aos destroços e foram executados.
O direito internacional proíbe ataques contra indivíduos que não representem perigo iminente, exceto no cenário de combate armado. Mesmo que os EUA estivessem em conflito com os traficantes, um ataque a combatentes feridos ou sobreviventes seria considerado um crime de guerra, já que eles têm direito à proteção.
Legisladores dos dois partidos pressionam por revisões do Congresso sobre a ofensiva militar americana na região caribenha. Parlamentares expressaram que, se a ordem de executar todos os tripulantes foi dada, o ato seria ilegal e passível de punição.
O senador democrata Tim Kaine declarou à rede CBS que, “se for verdade, chega ao nível de um crime de guerra”. O deputado republicano Mike Turner reforçou a seriedade do ocorrido, e disse que, “obviamente, se isso ocorreu, seria algo muito grave, e concordo que seria um ato ilegal”.
Relações tensas com a Venezuela
Desde setembro, as tropas americanas realizaram pelo menos 21 ataques a barcos que transportariam drogas no Caribe e no Pacífico. Pelo menos 83 pessoas foram mortas nessas operações. O governo não apresentou publicamente provas de que as embarcações realmente eram de narcotraficantes.
Esses bombardeios são interpretados como uma forma de pressionar o regime de Nicolás Maduro na Venezuela. Trump confirmou contato telefônico com Maduro, as disse que não gostaria de comentar o teor da conversa.
Em Caracas, a Assembleia Nacional suspendeu uma sessão para debater a criação de uma comissão investigativa sobre os ataques. O presidente da assembleia, Jorge Rodríguez, disse que a investigação seria baseada no relato do The Washington Post sobre a ordem atribuída a Hegseth.
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