Márcio Coimbra na Crusoé: Cavalo de Troia digital
Benefício fiscal concedido pelo Redata corre o risco de virar um financiamento público para a hegemonia de empresas como Alibaba Cloud em solo pátrio
A corrida global pela inteligência artificial não é apenas uma disputa comercial por produtividade. É a batalha geopolítica definidora do século 21 pelo controle das infraestruturas críticas e dos dados das nações.
Em busca da tão sonhada soberania digital, o governo brasileiro sancionou o programa Redata, concedendo bilhões em incentivos fiscais para expandir a infraestrutura de data centers no país.
Paralelamente, o Brasil se aproxima da proposta do presidente chinês Xi Jinping para criar uma “zona de IA em código aberto” no âmbito do Brics.
Sob a roupagem sedutora de cooperação pragmática e tecnologia acessível, o Brasil arrisca entregar sua independência tecnológica ao parceiro mais imprevisível e arriscado do cenário internacional: o regime autoritário de Pequim.
Subsídio público à hegemonia estrangeira
A tese de que a China pode ser uma aliada confiável na construção da IA brasileira baseia-se em uma ilusão ingênua.
Enquanto o Brasil busca desenvolver capacidade própria para não depender de potências estrangeiras, as gigantes tecnológicas chinesas — fortemente subsidiadas pelo Partido Comunista Chinês — enxergam o mercado nacional como mero receptor de sua sobrecapacidade industrial e vetor de expansão geopolítica.
O benefício fiscal concedido pelo Redata corre o risco de virar um financiamento público para a hegemonia de empresas como…
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