Maior predador aquático sul-americano retorna ao habitat depois de 40 anos
Uma família voltou aos ambientes aquáticos protegidos, mas o sucesso dependerá de reprodução, sobrevivência e novas solturas.
A ariranha voltou a nadar livre nos Esteros del Iberá, na Argentina, após quatro décadas sem uma população reprodutiva no país. Em junho de 2025, uma família de quatro animais foi solta para restaurar o principal predador dos ambientes aquáticos locais.
Qual predador voltou aos ambientes aquáticos da Argentina?
O animal é a ariranha, também chamada lontra-gigante ou lobo-do-rio. Considerada a maior espécie de lontra do mundo, ela pode alcançar cerca de 1,8 metro de comprimento e 33 quilos, vivendo em grupos familiares muito unidos.
A última população reprodutiva conhecida na Argentina havia sido registrada na década de 1980. Caça ilegal, perda de habitat e alterações nas margens dos rios reduziram a espécie até restarem apenas aparições isoladas, sem um núcleo estável.

Como uma família foi preparada para retornar ao Iberá?
O projeto começou em 2017 e reuniu animais vindos de zoológicos europeus. A fêmea Nima, o macho Coco e dois filhotes nascidos em novembro de 2024 formaram o grupo solto nas áreas úmidas protegidas em junho de 2025.
Antes da liberação, as ariranhas passaram por quarentena, adaptação e treinamento para capturar peixes vivos. O Tompkins Conservation informou que transmissores GPS especiais foram desenvolvidos para acompanhar os deslocamentos do grupo.
A preparação incluiu medidas essenciais:
Por que a volta da ariranha é importante para o ecossistema?
Como predadora de topo, a espécie regula populações de peixes e outros animais, influenciando o equilíbrio das cadeias aquáticas. Sua presença também indica que rios, lagoas e margens preservadas oferecem alimento, abrigo e espaço suficiente para um grupo familiar.
O Parque Iberá reúne cerca de dois milhões de acres protegidos e fica próximo às fronteiras com Brasil e Paraguai. A recuperação pode, no longo prazo, ajudar a reconectar populações hoje isoladas em diferentes partes da América do Sul.
Os primeiros marcos do programa mostram sua evolução:
O retorno significa que a espécie está recuperada na Argentina?
A soltura representa um marco, mas ainda não confirma uma população autossustentável. Os animais precisam sobreviver, reproduzir-se em liberdade e gerar novas famílias capazes de ocupar o ambiente sem alimentação complementar ou manejo constante.
A ariranha permanece ameaçada globalmente e enfrenta poluição, conflitos com pescadores, destruição das margens e fragmentação do habitat. O sucesso dependerá de novas solturas, proteção das áreas úmidas e conexão com outras populações sul-americanas.
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