Líderes europeus se unem a Zelensky em Kiev e pressionam Putin
Visita acontece um dia após Putin receber Lula, Xi Jinping e ditadores aliados nas celebrações do Dia da Vitória
Em uma demonstração inédita de unidade, os líderes do Reino Unido, França, Alemanha e Polônia se reuniram neste sábado, 10, com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em Kiev e exigiram que a Rússia aceite um cessar-fogo total de 30 dias, com início já nesta segunda-feira.
A visita de Keir Starmer (Reino Unido), Emmanuel Macron (França), Friedrich Merz (Alemanha) e Donald Tusk (Polônia) reforçou o apoio dos europeus à Ucrânia. Os líderes ameaçaram impor novas sanções “massivas” aos setores bancário e energético da Rússia, caso o ditador Vladimir Putin recuse a proposta.
“Se leva a paz a sério, esta é a hora de demonstrar”, afirmou Starmer.
A iniciativa, coordenada com a Casa Branca, também contou com uma ligação a Donald Trump, que endossou a trégua.
“Há unidade na exigência de um cessar-fogo e também na resposta, caso não haja acordo”, disse Starmer em entrevista à BBC.
A trégua proposta abrangeria todos os fronts – terra, ar e mar – e tem apoio de cerca de 30 países que integram a chamada “coalizão dos dispostos”. O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, disse que, se a Rússia aceitar, o cessar-fogo poderá abrir caminho para negociações de paz mais amplas.
A visita ocorre um dia após as celebrações do 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial em Moscou, onde Putin recebeu Lula, Xi Jinping e ditadores aliados.
O evento reforçou o isolamento ocidental da Rússia e a tentativa do Kremlin de se reposicionar como líder de uma nova ordem internacional.
Lula minimiza ida à Rússia
Como mostramos, o presidente Lula defendeu neste sábado, em Moscou, sua participação na cerimônia militar promovida pelo ditador Vladimir Putin para marcar os 80 anos da derrota do nazismo. A celebração, transformada em demonstração de força pelo líder russo, gerou críticas internacionais e dentro do Brasil.
Segundo Lula, as reações negativas — sobretudo na Europa — são uma “exploração política”.
“A Europa deveria estar festejando no dia de ontem. […] Graças ao que aconteceu em 1945, o nazismo que tomava conta da Alemanha foi derrotado”, afirmou.
O presidente minimizou o uso político do evento por Putin e reforçou que a posição do Brasil sobre a guerra na Ucrânia é “muito sólida”, em referência à proposta de paz defendida com a China: “Essa guerra só pode acabar se os dois quiserem”.
Leia em Crusoé: Dia da Derrota
Lula e ditadores
Na sexta-feira, 9, Lula esteve ao lado de ditadores como Nicolás Maduro (Venezuela) e Aleksandr Lukashenko (Belarus) no desfile da vitória, que exibiu tanques da Segunda Guerra e drones usados na guerra contra a Ucrânia. A presença do petista foi criticada por líderes estrangeiros e pela oposição no Brasil.
A ida de Lula a Moscou também provocou reação do governo ucraniano, que afirmou que o brasileiro perdeu credibilidade como possível mediador da guerra.
Apesar das críticas, Lula tentou reforçar o papel do Brasil como defensor do multilateralismo, apesar da proximidade com Putin.. “Se tudo for exploração política, você não pode fazer nada”, disse. Para ele, participar da cerimônia não o desqualifica como interlocutor por paz. “A nossa posição continua a mesma: nós queremos paz”.
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Comentários (1)
Edmilson Siqueira
10.05.2025 22:59Lula caminha para o ostracismo entre os democratas devido às suas próprias posições covardes diante de notórios ditadores.