Justiça da Venezuela arquiva casos contra jornalistas
Processos por incitação ao ódio são encerrados após anos de restrições
Dois jornalistas venezuelanos tiveram os processos criminais encerrados pela Justiça do país após investigações que duraram anos sem conclusão. Román Camacho e Elides Rojas, acusados de crimes relacionados à liberdade de expressão, foram beneficiados por decisões que declararam a impossibilidade de dar continuidade às investigações, conforme comunicado divulgado na quarta-feira, 15, pelo Sindicato Nacional de Trabajadores de la Prensa (SNTP).
Anos de restrições sem condenação
O caso de Camacho teve início em março de 2025, quando o jornalista foi indiciado pelos crimes de incitação ao ódio e divulgação de informações falsas após cobrir um episódio ocorrido no bairro de Petare, em Caracas. Durante mais de um ano, ele permaneceu sujeito a medidas cautelares que incluíam proibição de deixar o país e de se manifestar em veículos de comunicação e redes sociais.
A situação de Rojas é ainda mais antiga: seu processo teve origem em dezembro de 2019, quando foi indiciado pelo crime de promoção ou incitação ao ódio. A investigação se prolongou por mais de cinco anos até o arquivamento.
Segundo o Infobae, a decisão judicial que encerrou ambos os casos foi fundamentada na constatação de que “não foi possível incorporar novos dados à investigação”, segundo o texto citado pelo sindicato.
Sindicato aponta padrão de uso político da Justiça
Em nota divulgada na rede social X, o SNTP afirmou que os arquivamentos “confirmam a ausência de fundamentos para sustentar o processo penal” e apontam para “o uso prolongado de figuras legais para submeter jornalistas a processos judiciais” — no caso de Rojas, por mais de cinco anos.
O contexto mais amplo do jornalismo na Venezuela reforça a gravidade dos casos. Segundo relatório divulgado em março de 2026 pela Sociedad Interamericana de Prensa (SIP), o país ocupa a última posição entre 23 nações avaliadas no Índice Chapultepec de Liberdade de Expressão e Imprensa 2025. O mesmo documento classifica a Venezuela, ao lado da Nicarágua, entre os países considerados “sem liberdade de expressão” na região.
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