Izabela Patriota na Crusoé: O que querem os natalistas?
Movimento deseja mais crianças, mas só aquelas nascidas das mulheres certas, na idade certa e da forma considerada socialmente aceitável
A atriz Anne Hathaway anunciou, no último dia 20 de junho, que está grávida de seu terceiro filho aos 43 anos.
Era de se esperar que a notícia fosse celebrada, especialmente em um momento no qual assistimos à expansão de movimentos natalistas que alertam para o chamado “inverno demográfico” e defendem que o Ocidente volte a ter mais filhos.
Essa preocupação deixou de ser apenas retórica. Influenciado por esse debate, o governo Donald Trump aprovou uma das mais ambiciosas políticas pró-natalidade dos últimos anos: a criação das chamadas Trump Accounts.
Toda criança americana nascida entre 2025 e 2028 recebe um aporte inicial de mil dólares do governo federal em uma conta de investimentos, à qual pais, familiares e empregadores podem adicionar recursos ao longo da infância.
A política busca simultaneamente enfrentar a queda da natalidade e estimular a formação de patrimônio desde o nascimento.
Porém, a gravidez de Hathaway também foi tratada como irresponsável, egoísta e até prejudicial para a própria criança.
Em artigo publicado na Free Press dois dias após o anúncio, Kara Kennedy analisou justamente essa contradição.
Setores que passam o ano lamentando a queda da natalidade parecem mudar de tom quando a mulher grávida não se encaixa no modelo idealizado de maternidade jovem, dócil e cronologicamente conveniente.
A pergunta, então, é inevitável: o que realmente querem os natalistas?
Se a preocupação fosse apenas demográfica, uma mulher adulta, casada, financeiramente estável e já mãe de dois filhos deveria ser vista como parte da solução.
Mas, aparentemente…
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