Israel pressiona por acordo com mediação de Qatar e Egito
Proposta prevê trégua de 60 dias, troca de reféns e retirada parcial
Israel, Hamas e Estados Unidos avaliam nos próximos dias uma nova proposta de cessar-fogo na Faixa de Gaza, cuja mediação envolve diretamente Qatar e Egito.
A proposta, apresentada pelo governo americano, prevê uma trégua de 60 dias para negociação de um acordo mais amplo que inclua a libertação de reféns e a retirada gradual das tropas israelenses.
Fontes de segurança israelenses apontam que o momento é decisivo para o avanço das negociações, que têm sido marcadas por impasses desde o início da guerra, em outubro de 2023.
Qatar e Egito atuam como interlocutores diretos com o Hamas e mantêm coordenação estreita com os Estados Unidos.
O plano em análise inclui a libertação de dez reféns israelenses vivos e a devolução dos corpos de outros dezoito, em troca da soltura de 125 palestinos condenados por terrorismo, além de mais de 1.100 detidos desde o início da guerra e a entrega de 180 corpos atualmente sob custódia israelense.
A proposta também prevê negociações para a reconstrução de Gaza com apoio internacional e um comitê administrativo transitório por até seis meses, até que a Autoridade Palestina possa reassumir o controle do território.
Apesar do apoio inicial do gabinete israelense à proposta, ainda não houve votação formal. Ministros da ala mais à direita do governo Netanyahu resistem aos termos atuais, principalmente à possibilidade de o Hamas permanecer com influência política.
O grupo palestino, por sua vez, insiste em um cessar-fogo permanente e na retirada total de Israel do enclave.
Sem avanços concretos, as Forças de Defesa de Israel ampliaram as operações terrestres no sul de Gaza nas últimas semanas, com ofensivas contra áreas ainda não ocupadas. A pressão militar é considerada, por analistas, uma tentativa de forçar o Hamas a aceitar os termos do acordo.
Do lado egípcio, delegações de segurança se revezam entre reuniões em Doha e no Cairo para tentar destravar as conversas.
O Egito também atua na articulação da entrada de ajuda humanitária e seria um dos coordenadores da reconstrução futura de Gaza.
Já o Qatar continua sendo o principal canal de interlocução com o Hamas e mantém conversas diárias com as demais partes envolvidas.
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