Israel fecha consulado britânico após sanções
Governo israelense retalia bloqueio comercial imposto por Reino Unido, França e Canadá a produtos de assentamentos na Cisjordânia
Israel determinou nesta terça-feira, 8, o fechamento do consulado britânico em Jerusalém, horas depois de Reino Unido, França e Canadá anunciarem a suspensão da importação de bens agrícolas fabricados em assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada.
A decisão foi tomada pelo chanceler israelense Gideon Saar, que classificou a iniciativa das três potências como interferência na soberania nacional, em meio à crescente pressão internacional sobre a política de colonização do território palestino.
Retaliação e restrições a britânicos
Além de fechar a repartição diplomática britânica, Tel Aviv informou que pretende retirar representantes do Reino Unido de um centro que acompanha o cessar-fogo em Gaza intermediado pelos Estados Unidos. O governo também deve vetar a entrada no país de doze cidadãos britânicos, a maioria deles parlamentares.
Saar descreveu as sanções ocidentais como “moralmente distorcida” e afirmou que constituem “uma interferência flagrante nos assuntos de um Estado soberano e em seu processo eleitoral” — numa referência às eleições israelenses marcadas para 27 de outubro, nas quais o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defende a ampliação dos assentamentos.
O chanceler reafirmou que “Jerusalém unificada é a capital de Israel e está sob sua plena soberania” e sustentou que “o povo judeu tem o direito de viver em toda a terra de Israel”.
O Reino Unido não reconhece a soberania israelense sobre a totalidade da cidade, mantendo embaixadas em Tel Aviv — exceção feita aos Estados Unidos, que transferiram sua representação diplomática para Jerusalém durante o governo de Donald Trump.
Países citam violência de colonos
As restrições comerciais anunciadas pelas três nações fazem parte de um pacote maior: outros dez países, entre eles Dinamarca, Noruega, Polônia, Espanha e Suécia, subscreveram uma declaração conjunta em defesa da solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino.
O chanceler britânico, Ed Miliband, foi mais longe e declarou acreditar que ocorre uma limpeza étnica de palestinos em partes da Cisjordânia, dizendo que seu governo “se recusa a assistir passivamente a mais sofrimento e à destruição da solução de dois Estados”.
Miliband se define como “um judeu britânico orgulhoso” e mencionou que sua avó recebeu refúgio em Israel depois que o avô e sessenta parentes foram mortos por nazistas na Segunda Guerra Mundial.
O ministro anunciou ainda sanções imediatas contra colonos considerados extremistas, apontados como responsáveis por episódios de violência, além de nova legislação que deve entrar em vigor entre seis e nove meses.
Londres também endureceu sanções contra o Irã e contra a instituição financeira Al-Qard Al-Hassan, vinculada ao Hezbollah, em coordenação com União Europeia e Estados Unidos.
A canadense Anita Anand escreveu nas redes sociais que sucessivos governos de seu país sustentam que a solução de dois Estados é o caminho para uma paz duradoura que também contemple as preocupações de segurança israelenses, acrescentando que os assentamentos prejudicam esse objetivo.
Já a França justificou sua decisão citando o crescimento acelerado das construções e o agravamento da violência na região.
Apesar do impacto simbólico, as restrições comerciais tendem a ter efeito econômico limitado: os produtos dos assentamentos — como tâmaras, frutas cítricas, ervas e vinho — respondem por parcela pequena das exportações totais de Israel.
Ainda assim, a medida se soma a um histórico de atritos, como a suspensão de serviços consulares a palestinos determinada por Israel em 2024 contra a Espanha, e ao reconhecimento de um Estado palestino pelo Reino Unido em 2025, indicando um distanciamento gradual entre Israel e parte de seus tradicionais aliados ocidentais.
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