Israel é o primeiro país a reconhecer a Somalilândia como Estado independente
País africano separado da Somália há mais de três décadas busca reconhecimento internacional
Israel se tornou nesta sexta-feira, 26, o primeiro país a reconhecer a República da Somalilândia como um Estado independente.
Separada da Somália há mais de três décadas, a nação africana, de maioria muçulmana, manifestou interesse em aderir aos Acordos de Abraão, iniciativa diplomática liderada pelos Estados Unidos para ampliar a normalização de relações com Israel.
A declaração de reconhecimento foi assinada, pelo lado israelense, pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar.
Pela Somalilândia, o documento recebeu a assinatura do presidente Abdirahman Mohamed Abdullahi (foto). O país está localizado em uma região estratégica do Chifre da África, com acesso ao Mar Vermelho.
Em conversa telefônica com Abdullahi, Netanyahu afirmou que a relação entre os dois países é “fundamental e histórica”.
“Pretendemos trabalhar em conjunto convosco nas áreas da economia, da agricultura e do desenvolvimento social”, disse Netanyahu.
“Estou muito, muito feliz e muito orgulhoso deste dia e quero desejar a vocês e ao povo da Somalilândia tudo de bom”, afirmou em outro trecho da ligação.
Netanyahu garantiu que a declaração “está em consonância com o espírito dos Acordos de Abraão, assinados por iniciativa do presidente [dos EUA] [Donald] Trump”.
Apesar de ainda não reconhecerem formalmente a independência da Somalilândia, países como Reino Unido, Etiópia, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Quênia e Taiwan mantêm escritórios de ligação na região.
Os Estados Unidos já sinalizaram que podem reavaliar sua posição sobre o território separatista.
Somalilândia
De maioria muçulmana sunita, a Somalilândia declarou formalmente sua separação da Somália em 1991, após o colapso do governo central e o início de um longo período de anarquia no país.
Localizada ao longo de grande parte do litoral somali no Mar Vermelho, a região tem funcionado, na prática, como um Estado independente durante décadas de guerra civil na Somália.
Em muitos aspectos, é considerada mais estável e funcional do que o próprio Estado somali, com histórico de transições de poder pacíficas e democráticas.
A busca pelo reconhecimento internacional tem sido uma prioridade central do presidente Abdullahi desde que assumiu o cargo, no ano passado.
A ausência desse reconhecimento dificulta o acesso a empréstimos, ajuda internacional e investimentos estrangeiros, mantendo a região em situação de profunda pobreza, apesar da relativa estabilidade política.
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