Israel confirma apoio a milícia palestina oponente ao Hamas
Um grupo armado sob a liderança de Yasser Abu Shabab atua em uma região da Faixa de Gaza controlada pelas forças israelenses
Uma recente declaração do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, levanta questões sobre as alianças em tempos de conflito.
Nesta quinta-feira, 6 de junho, Netanyahu confirmou que seu governo realizou o envio de armamentos a uma milícia palestina contrária ao Hamas, conforme reportado pela emissora Kan News.
Essa decisão teria sido tomada por uma comissão secreta da Knesset, composta pelo primeiro-ministro, pelo ministro da Defesa, pelo chefe do Estado-Maior e pelo Shin Bet, os serviços de segurança interna israelenses.
Em um vídeo compartilhado em sua conta no X, Netanyahu declarou: “Com base nas recomendações das autoridades de segurança, direcionamos apoio a clãs em Gaza que se opõem ao Hamas. O que há de errado nisso? É algo positivo”.
Yasser Abu Shabab
As armas enviadas, principalmente fuzis AK-47, teriam sido destinadas a um grupo liderado por Yasser Abu Shabab, que opera na cidade de Rafah, uma área sob vigilância da força militar israelense.
Entretanto, Yasser Abu Shabab contestou as alegações sobre o recebimento de armamentos. Ele afirmou que os armamentos provêm do “apoio do nosso povo, das doações dos residentes e dos jovens que se viram obrigados a defender suas comunidades contra saques”, acusando a imprensa israelense de “manchar a imagem de uma força popular surgida da dor”.
Além disso, Yasser Abu Shabab reivindica sua lealdade à Autoridade Palestina, liderada por Mahmoud Abbas, que busca a criação de um Estado palestino.
Esta entidade governa sob constante conflito com o Hamas desde que este último tomou o poder em 2007.
Na última terça-feira, Abu Shabab publicou um vídeo afirmando ter controlado uma área “liberta do Hamas” nas proximidades de Rafah.
Segundo informações da BBC News, Israel estaria apoiando esse grupo para proteger caminhões destinados ao transporte de ajuda humanitária para Gaza; no entanto, há acusações de que eles estariam desviando esses convênios e se apropriando do material para seus próprios fins na luta contra o Hamas.
As revelações sobre essa situação provocaram reações negativas entre os opositores do governo Netanyahu.
O político Avigdor Liberman criticou a “fornecimento de armas a criminosos associados ao grupo Estado Islâmico”, enquanto Yaïr Golan, líder do bloco democrático na Knesset, denunciou em sua conta no X a criação de “uma bomba-relógio em Gaza” ao invés de garantir a segurança dos cidadãos israelenses.
Em resposta às críticas, o gabinete do primeiro-ministro reafirmou sua posição nesta sexta-feira, afirmando que Israel “busca derrotar o Hamas através de diversos meios, fundamentados nas recomendações dos líderes da segurança”.
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
06.06.2025 10:43Pelo que estou entendendo, Netanyahu está agora tentando se livrar de uma “batata quente” nas mãos dele. Se houver precipitação e não houver critérios bem definidos, Israel pode terminar por substituir um Hamas por outro congênere em formação.