Washington Post se retrata por acusar Israel, “mas e a mídia brasileira?”
Informação atribuída ao Ministério da Saúde de Gaza — controlado pelo Hamas — foi divulgada com destaque e gerou grande repercussão internacional
No último domingo, 1º, diversos veículos da imprensa internacional publicaram que tropas israelenses haviam matado mais de 30 palestinos próximos a um ponto de distribuição de ajuda humanitária em Gaza. A informação, atribuída ao Ministério da Saúde local — controlado pelo grupo terrorista Hamas — foi divulgada com destaque e gerou grande repercussão. Investigações preliminares, porém, afirmam que os soldados israelenses não dispararam contra civis naquele local e que o tiroteio foi provocado por facções palestinas.
O Washington Post reconheceu que tratou com “excesso de certeza” o suposto envolvimento de Israel e publicou uma retratação. Já veículos brasileiros que replicaram a versão inicial — como CNN Brasil, g1, BBC News Brasil e UOL — não fizeram qualquer correção até o início da tarde desta quarta-feira, 4.
Leia a íntegra da nota publicada pelo Washington Post no X:
“Excluímos a publicação abaixo porque ela, assim como as versões iniciais do artigo, não atendiam aos padrões de imparcialidade do Washington Post.
Contexto: As primeiras versões do artigo, publicadas no domingo, afirmavam que tropas israelenses haviam matado mais de 30 pessoas próximas a um ponto de distribuição de ajuda dos EUA em Gaza, com o título atribuindo a informação a ‘autoridades de saúde’.
O texto falhou em esclarecer se a atribuição das mortes a Israel era uma posição do Ministério da Saúde de Gaza ou um fato verificado pelo Post. O artigo e o título foram atualizados na noite de domingo para deixar claro que não havia consenso sobre quem era o responsável pelos disparos e que havia divergências a respeito dessa questão.
Embora declarações de Israel — alegando não ter conhecimento de feridos e afirmando que uma investigação preliminar indicava que seus soldados não atiraram contra civis no local — tenham sido incluídas em todas as versões do texto, o Post não deu o devido peso à negativa israelense e tratou com excesso de certeza o que se sabia sobre uma possível participação do país nos disparos. As versões iniciais não atenderam aos padrões de imparcialidade do Post e não deveriam ter sido publicadas da forma como estavam.”
Após a retratação do jornal americano, o major Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças de Defesa de Israel, publicou um vídeo criticando a imprensa brasileira por seguir a narrativa do Hamas sem checar os fatos. Ele afirmou:
“Mais uma vez a mídia internacional caiu numa mentira do Hamas. E a mídia brasileira foi atrás sem checar os fatos. E nós não vamos nos calar em relação a essas mentiras (…).
Manchete, indignações, condenações a Israel… tudo com base em quê? Em fontes do Hamas. Fontes do Ministério de Saúde de Gaza, que é o Hamas fantasiado de ministério. Alguns dias depois, a mídia internacional começou a se envergonhar por essa falta de profissionalismo, de objetividade, de parcialidade, de falta de comprometimento com os fatos, porque provamos que não houve nenhum ataque israelense neste local. Foi um tiroteio causado por palestinos, segundo investigações independentes. Washington Post, por exemplo, reconheceu o erro. Ontem eles se retrataram (…).
Mas e a mídia brasileira, com diversas publicações sobre esse caso acusando Israel de matar 31 palestinos? Nenhuma retratação. Nenhum pedido de desculpas. Parece que quando a notícia é contra Israel, mesmo que a fonte seja o Hamas, um grupo terrorista, a checagem dos fatos, a análise, desaparecem. E quem sofre com isso? A verdade. E também os próprios palestinos. Entendam de uma vez por todas: narrativas mentirosas só alimentam o conflito. A verdade precisa ser mais forte que a propaganda. Quando as narrativas vencem, o povo de Israel pode até ser acusado de vitimismo quando se defende de grupos terroristas.”
O Antagonista jamais fez, nem faz, acusação contra Israel ou qualquer outro país com base em narrativas não verificadas que provenham de grupos terroristas e de suas fachadas formais.
Leia também: A ‘retratação’ da imprensa pelo maior vexame na cobertura de Gaza
E leia ainda: Casa Branca denuncia viés anti-Israel da BBC
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Comentários (4)
CESAR AUGUSTO DIAS MARANHAO
04.06.2025 18:50E alguém acha que o nosso desgoverno se importa com o quê é verdade ou mentira quando se trata de defender ditadores, terrorristas, assassinos e até criminosos de guerra?
Mirolho
04.06.2025 14:33O Washington Post se retratou no sentido de esclarecer as informações da materia bai foram verificadas por ele, mas vieram de Gaza’s Health Ministry and the International Committee of the Red Cross. A retratação não foi no sentido de afirmar que Israel não teve participação nas mortes. Está é a matéria do WP: https://www.washingtonpost.com/world/2025/06/03/gaza-shooting-rafah/ . Nota: Israel não permite a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza. Fonte: https://www.dw.com/en/how-reporting-in-gaza-is-a-deadly-assignment-for-palestinian-journalists/a-72073519
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
04.06.2025 14:17Toda essa votação no STF se baseia em decidir quem terá o monopólio das fake news no Brasil. A imprensa tradicional, o governo e a elite do judiciário.
Eduardo
04.06.2025 13:25Retratação da imprensa brasileira? É melhor aguardar sentado...