Irã completa 48 horas sem internet em meio a protestos
Regime intensificou repressão em meio ao avanço das manifestações
O Irã completou neste sábado 48 horas sem internet em meio a protestos contra o regime dos aiatolás. Segundo a organização de monitoramento NetBlocks, a conectividade segue praticamente inexistente no país.
De acordo com o órgão, o tráfego de internet caiu para cerca de 1% do nível normal.
“O Irã está offline há 48 horas, e a telemetria mostra que o bloqueio nacional da internet permanece em vigor”, diz a NetBlocks em publicação no X. Também há relatos de que o serviço de telefonia móvel está fora do ar na capital, Teerã.
O diretor da NetBlocks, Alp Toker, afirmou à CNN internacional que parte da população tem conseguido se comunicar por meios alternativos, como terminais Starlink contrabandeados ou sinais de redes de países vizinhos.
“Os apagões nacionais costumam ser a estratégia preferida do regime quando há risco de uso de força letal contra manifestantes”, disse Toker, “com o objetivo de impedir a divulgação de notícias sobre o que está acontecendo no país e também limitar a atenção internacional.”
Duas semanas de protestos
As manifestações contra o regime iraniano já duram duas semanas. Segundo a Human Rights Activists News Agency (HRANA), ao menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas em todo o país.
A ONG afirma que os protestos atingiram mais de 100 cidades, em todas as províncias.
A HRANA diz que o número real de mortos pode ser maior, já que o apagão dificulta a verificação independente. Segundo a entidade, entre os mortos estariam 50 manifestantes e 15 integrantes das forças de segurança.
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Repressão intensifica
Os protestos começaram em dezembro, impulsionados pela insatisfação com a grave crise econômica, e rapidamente se transformaram em um movimento de oposição aberta ao regime do aiatolá Ali Khamenei.
O regime intensificou a repressão neste sábado.
A emissora estatal Press TV anunciou a prisão de ao menos 200 “líderes de distúrbios no Irã”, além da apreensão de um “significativo arsenal de armas”.
Já a agência semioficial Tasnim noticiou a prisão de 100 pessoas em Baharestan, perto de Teerã, por “perturbar a ordem pública”.
Donald Trump
Mais cedo, o presidente Donald Trump voltou a pressionar o regime iraniano e afirmou que os Estados Unidos estão “prontos para ajudar” os manifestantes que participam da onda de protestos no país.
Em publicação na rede Truth Social, o republicano afirmou:
“O Irã vislumbra a LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!”.
A declaração reforça o tom adotado por Trump nos últimos dias diante da crise iraniana.
Na sexta-feira, Trump afirmou que o Exército dos EUA estava “engatilhado e pronto” caso o regime iraniano matasse manifestantes.
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