Procurador-geral do Irã ameaça manifestantes com pena de morte
Autoridades afirmam que participação em protestos pode levar à acusação de “inimigo de Deus”
Autoridades do Irã anunciaram que todos os participantes dos protestos contra o regime poderão ser enquadrados como “inimigos de Deus”, crime conhecido no país como mohareb e que prevê pena de morte.
A declaração foi feita neste sábado, 10, pelo procurador-geral Mohammad Movahedi Azad em comunicado divulgado pela mídia estatal.
Segundo ele, a acusação não se limita a manifestantes considerados violentos.
A medida também pode alcançar pessoas que tenham ajudado atos classificados pelo regime como terroristas ou que tenham colocado em risco a segurança pública.
Movahedi Azad afirmou ainda que os promotores devem conduzir os processos com rapidez, sem demonstrar “clemência, compaixão ou indulgência”.
O procurador de Teerã, Ali Salehi, também reforçou a linha adotada pelo regime e disse que os manifestantes também podem responder por mohareb.
Linha dura do regime
O líder supremo Ali Khamenei adotou um discurso mais agressivo após dias de manifestações. Em pronunciamento na sexta-feira, 9, afirmou que Teerã “não irá tolerar cidadãos agindo como mercenários para estrangeiros”.
Khamenei citou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia ameaçado uma intervenção militar caso houvesse mortes na repressão.
“Na noite passada em Teerã, um bando de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertence ao Estado, ao povo, só para agradar o coração do presidente dos Estados Unidos”, disse.
Em seguida, afirmou que Trump deveria “cuidar do próprio país”.
Redes sociais de ativistas apontam que os protestos já alcançaram cerca de 300 cidades.
Neste sábado, Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, deposto em 1979, declarou apoio aos protestos e defendeu a ocupação dos centros urbanos.
“Nosso objetivo não é mais simplesmente ir às ruas; o objetivo é nos prepararmos para tomar o centro das cidades e mantê-lo sob nosso controle”, afirmou.
Ele também convocou trabalhadores de setores estratégicos e disse:
“Me preparo para retornar à minha pátria e estar com vocês, a grande nação do Irã, quando nossa revolução nacional triunfar. Acredito que esse dia está muito próximo.”
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