Irã adverte estudantes: “Há limites que não devemos ultrapassar”
Protestos universitários retornam após repressão de janeiro; negociações nucleares prosseguem em meio a ameaças de ação militar americana
O governo iraniano emitiu nesta terça-feira, 24, um alerta aos estudantes que voltaram às ruas no sábado.
A porta-voz do Executivo, Fatemeh Mohajerani, reconheceu o direito à manifestação, mas estabeleceu condições: há “limites que devemos proteger e não ultrapassar ou desviar, nem mesmo no auge da indignação”, declarou, citando entre eles “coisas sagradas”, como “a bandeira” da república islâmica.
Vídeos verificados pela agência AFP registraram estudantes em Teerã queimando justamente essa bandeira – adotada após a revolução de 1979 – e entoando “morte ao ditador”, referência ao guia supremo, Ali Khamenei.
Algumas fontes relataram confrontos entre opositores e apoiadores do regime durante os atos.
Da economia às ruas
Os protestos têm raiz no fim de dezembro, quando a população foi às ruas contra o aumento do custo de vida. O movimento ganhou contornos políticos e passou a questionar o poder constituído, até ser reprimido com violência em janeiro – episódio que ainda ecoa na sociedade iraniana.
O retorno das manifestações ocorre em um momento de pressão externa sobre Teerã. Desde a guerra de junho de 2025, quando Israel atacou instalações nucleares iranianas com apoio dos Estados Unidos, o presidente americano Donald Trump voltou a ameaçar o Irã com bombardeios. Na quinta-feira, Trump afirmou ter estabelecido um prazo de dez a quinze dias para decidir sobre o uso da força.
Diplomacia sob pressão
Washington mobilizou ativos militares na região: o porta-aviões Abraham Lincoln foi deslocado para o Oriente Médio, enquanto o Gerald R. Ford – o maior navio do tipo em operação – navega pelo Mediterrâneo e está ancorado em uma base em Creta, na Grécia. A presença simultânea de duas embarcações dessa categoria em uma mesma região é considerada fora do comum.
Apesar da escalada retórica, as negociações entre os dois países continuam. Uma terceira rodada de conversações, mediada por Omã, está agendada para quinta-feira, em Genebra. O ponto central do impasse é o programa nuclear iraniano: os Estados Unidos, ao lado de outros países ocidentais, acusam Teerã de buscar armamento atômico; o Irã insiste que as atividades têm finalidade civil.
Chegar a um entendimento será “uma tarefa difícil”, avaliou o International Crisis Group em relatório divulgado na segunda-feira.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Pobres iranianos... Quantos inocentes mais perderão suas vidas lutando pela liberdade? Devolvam o Irã a seu povo! Nenhum país do mundo deveria ficar sob a má administração de ditadores sanguinários...