Investigação isenta Fundação Gates de pagamentos a Epstein
Apuração externa aponta contatos entre 2011 e 2014, mas não encontra indícios de crime
A Fundação Gates manteve vínculos com o financista Jeffrey Epstein entre 2011 e 2014, mas uma investigação externa não identificou repasses financeiros ao criminoso sexual nem participação da entidade em suas atividades ilegais, segundo comunicado divulgado pela organização nesta terça-feira, 21.
A apuração, conduzida pelo escritório de advocacia WilmerHale desde março, incluiu mais de 50 entrevistas com funcionários e ex-funcionários da fundação.
Alertas internos e projetos discutidos
Segundo a fundação, o contato com Epstein girou em torno de duas iniciativas: uma proposta de fundo orientado por doadores, que não avançou, e o financiamento ao Instituto Internacional da Paz (IPI), organização sem fins lucrativos voltada a projetos de combate à poliomielite.
A revisão constatou ainda que Bill Gates e outros dirigentes seniores da entidade filantrópica receberam avisos de funcionários sobre os riscos de manter relações com Epstein, que já tinha sido condenado por crimes sexuais contra menores antes do início dessas conversas.
Em nota, Gates afirmou que a conclusão da apuração representa avanço na busca por transparência: “Concluir esta revisão é um passo importante para fornecer a clareza que parceiros, funcionários e beneficiários merecem, bem como fortalecer nossa supervisão com políticas adicionais daqui em diante”, declarou. “Estamos comprometidos em garantir que a confiança e a transparência nunca sejam comprometidas”.
Mudanças na governança e repercussão
Como resposta ao episódio, a fundação anunciou a criação de um processo centralizado de avaliação para potenciais parceiros de financiamento e integrantes de sua liderança ou conselho com ligação direta a Gates. Também será implementado um mecanismo para identificar riscos institucionais em projetos apresentados por essas pessoas, com possibilidade de encaminhamento ao diretor-executivo da entidade.
O caso ganhou repercussão após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar, em janeiro, emails que expunham trocas entre Epstein e integrantes da equipe da fundação.
Na semana passada, o investidor Warren Buffett retirou a Fundação Gates de sua doação anual de ações da Berkshire Hathaway. Em entrevista, classificou a relação de Gates com Epstein como “desagradável”, mas ponderou que poderia “se imaginar” algo assim. Disse também que cometeu o mesmo erro com outras pessoas.
Gates já havia se manifestado sobre o episódio. Disse lamentar ter mantido contato com Epstein, mas negou ter presenciado conduta criminosa ou convivido com vítimas de abuso por parte dele. O fundador da Microsoft não responde a nenhuma acusação formal relacionada ao caso.
A Fundação Gates, criada em 2000 por Bill Gates e Melinda French Gates, é hoje uma das principais financiadoras globais de projetos de saúde pública.
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