Hong Kong condena Joshua Wong a mais 10 anos de prisão
Ativista pró-democracia foi punido pela lei de segurança nacional por “articular” sanções contra a China e o território
Um tribunal de Hong Kong sentenciou o ativista Joshua Wong, 30, a dez anos de prisão nesta quinta-feira, 5. Ele foi condenado por “conspirar” com governos e entidades de outros países a imposição de sanções ao território e à China, com base na lei de segurança nacional. Pela nova pena, só deixará a prisão no fim de 2036.
Pena e processo
Wong havia sido acusado em junho de 2025, com a mesma legislação, de “conspirar com forças estrangeiras” para colocar em risco a segurança nacional. Como o crime admite prisão perpétua, a corte fixou 13 anos como “ponto de partida apropriado”. A confissão de culpa reduziu a pena a dez anos.
O ativista cumpria sentença por subversão, de quatro anos e oito meses, e seria solto em janeiro. Ao todo, já passou quase seis anos detido. Em carta ao tribunal, escreveu que a nova acusação o fez sentir que voltava ao ponto de partida. Afirmou também que o futuro não será definido pelo passado e que os anos de cadeia foram as “lições mais profundas” de sua vida.
Houve forte presença policial diante do tribunal. Wong entrou na sala aparentando calma e, depois da leitura da sentença, agradeceu e acenou aos apoiadores.
Do lobby nos EUA à lei de 2020
Segundo as autoridades, o trabalho de articulação internacional de Wong começou em 2016, quando ele passou a promover um projeto de lei americano que permitiria ao presidente dos Estados Unidos aplicar sanções por violações de direitos na cidade. Em 2019, durante os protestos pró-democracia, integrou uma delegação enviada a Washington para defender a proposta, depois aprovada.
Wong ficou conhecido internacionalmente na Revolução dos Guarda-Chuvas, série de manifestações iniciada em 2014. Em 2020, Pequim impôs a lei de segurança nacional a Hong Kong. A norma levou à dissolução de grupos de oposição e à fuga de ativistas. Na ocasião, Wong prometeu “continuar defendendo meu lar até que me silenciem”.
Em 2024, ele esteve entre as dezenas de militantes pró-democracia presas por subversão no maior julgamento de segurança nacional já feito no território. Parte dos detidos já foi solta.
Reações
O consulado dos EUA em Hong Kong declarou que a sentença mostra que Pequim “não medirá esforços para silenciar aqueles que defendem as liberdades fundamentais”.
A Human Rights Watch chamou a pena de “cruel e injusta” e pediu que governos estrangeiros passem a “imporem sanções específicas contra as autoridades responsáveis pela crescente repressão em Hong Kong”.
Organizações de direitos humanos acusam as autoridades de usar a lei para calar a oposição e criminalizar a atividade política pacífica. O governo de Hong Kong rejeita a acusação.
O governo chinês declarou que “apoia firmemente a Região Administrativa Especial de Hong Kong na salvaguarda da segurança nacional, em conformidade com a lei, e no combate a atos que coloquem em risco a segurança nacional”.
O Ministério do Exterior afirmou que “as partes envolvidas devem respeitar seriamente a soberania da China, respeitar o sistema jurídico de Hong Kong, abster-se de fazer declarações irresponsáveis […] e parar de interferir, de qualquer forma, no poder judiciário de Hong Kong e nos assuntos internos da China”.
Em fevereiro de 2026, o empresário Jimmy Lai, fundador do jornal pró-democracia Apple Daily, foi condenado a 20 anos de prisão por conspiração com forças estrangeiras e sedição. Aos 78 anos, ele recebeu neste ano o Freedom of Speech Award, prêmio da DW.
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