Hezbollah rompe cessar-fogo com ataque a base militar israelense
Grupo xiita reivindica ofensiva contra o norte de Israel e acirra tensões com Tel Aviv no conflito no Líbano
“Hezbollah deve deter seus ataques e se desarmar, e Israel deve impor limites às suas ofensivas aéreas contra centros humanitários”, disse a comissária europeia Hadja Lahbib nesta sexta-feira, 8, após reunião com o presidente libanês Joseph Aoun.
A frase resume o impasse que voltou a dominar o conflito entre Israel e o grupo terrorista: menos de um mês após a entrada em vigor de uma trégua mediada pelos Estados Unidos, ambos os lados voltaram a trocar ataques, e o Líbano se vê no centro das consequências.
Primeiro ataque reivindicado desde a trégua
O Hezbollah disparou mísseis contra uma base militar israelense ao sul de Nahariya nesta sexta-feira. É a primeira operação que o grupo assume publicamente desde que o acordo de cessar-fogo entrou em vigor à meia-noite de 17 de abril.
A organização descreveu a ação como resposta a “violações do cessar-fogo por parte do inimigo israelense”, citando bombardeios nos subúrbios do sul de Beirute e ataques a aldeias e civis no sul do Líbano.
O Exército de Israel informou que um dos projéteis foi interceptado e os demais caíram em áreas abertas, sem registrar feridos. Em nota oficial, as Forças Armadas classificaram o episódio como “mais uma violação do cessar-fogo” por parte do Hezbollah.
Ataques israelenses precederam a ofensiva
Horas antes do lançamento de mísseis, a Força Aérea israelense realizou uma série de ataques no sul do Líbano. O Ministério da Saúde libanês informou que a ofensiva sobre Toura, no distrito de Tiro, matou quatro pessoas — entre elas duas mulheres — e deixou oito feridos. A Defesa Civil libanesa confirmou ainda a morte de um paramédico da organização em um ataque israelense separado na região.
A Agência Nacional de Notícias do Líbano, de gestão estatal, também relatou bombardeios próximos à aldeia de Kfar Chouba, no sudeste, e nas imediações de Nabi Sheet, no leste do país. Os ataques ocorreram após o porta-voz árabe do Exército israelense emitir alertas de evacuação para moradores de seis aldeias na província de Tiro, incluindo Toura.
Na quinta-feira, Israel afirmou ter eliminado o comandante Ahmed Balout, identificado como integrante da Força Radwan de elite do Hezbollah, junto a outros dois milicianos. O grupo não se pronunciou sobre o caso.
Trégua sob pressão e negociações à vista
A trégua foi anunciada pelo Departamento de Estado americano em abril e prorrogada por três semanas. O acordo autoriza Israel a agir contra operações do Hezbollah que sejam “planejadas, iminentes ou em curso”.
Desde então, o Exército israelense afirma ter eliminado mais de 85 milicianos e atacado 180 posições do grupo na última semana, sem apresentar evidências que corroborem os números.
Diante do agravamento do cenário, o presidente libanês Joseph Aoun recebeu nesta sexta-feira uma delegação da União Europeia e pediu pressão internacional para que Israel respeite o cessar-fogo e interrompa a demolição de residências em aldeias sob ocupação israelense. Aoun reafirmou o compromisso do Líbano com a trégua como base para negociações mais amplas.
Mais tarde, o presidente se reuniu com Simon Karam, chefe da delegação libanesa nas conversações com Israel em Washington, agendadas para quinta e sexta-feira da próxima semana. Seriam as primeiras tratativas diretas entre os dois países em mais de três décadas, num conflito cuja origem formal remonta à fundação do Estado de Israel, em 1948.
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