Irã acusa EUA de interromper retomada no Estreito de Ormuz
Guarda Revolucionária afirmou que a capacidade de trânsito havia se recuperado para cerca de 50% dos níveis pré-guerra
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quinta-feira, 8, que os bombardeios dos Estados Unidos interromperam a reabertura gradual do Estreito de Ormuz.
De acordo com os iranianos, a capacidade de trânsito sob a supervisão do Irã se recuperou para cerca de 50% dos níveis anteriores à guerra nas últimas duas semanas.
A Marinha alertou que qualquer nova ação americana provocaria uma “resposta esmagadora”.
A situação se agravou após o Comando Central dos EUA lançar ataques contra cerca de 90 alvos em solo iraniano, focando em locais de armazenamento de drones, mísseis e sistemas de defesa aéreas.
Segundo os militares americanos, o objetivo era degradar a capacidade do Irã de atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz, uma rota vital para o suprimento global de energia.
Reação iraniana
A resposta do Irã foi imediata. O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica disparou drones e mísseis contra o que descreveu como bases americanas no Kuwait e no Bahrein.
Enquanto as autoridades do Bahrein afirmaram ter interceptado e destruído várias dessas ameaças “traiçoeiras”, o exército do Kuwait confirmou estar respondendo aos ataques, embora sem relatar danos imediatos.
O Irã avisou que, caso novos ataques americanos ocorram, a retaliação será expandida para outras bases na região.
Infraestrutura
Além dos alvos militares, as autoridades iranianas relataram que os ataques dos EUA atingiram um ponto estratégico da ferrovia que liga a capital, Teerã, à cidade de Mashhad.
Este incidente interrompeu o serviço de passageiros justamente no momento em que o país se preparava para concluir as cerimônias fúnebres de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra.
Com a ferrovia bloqueada, as autoridades iranianas organizaram ônibus para transportar os passageiros isolados até Mashhad para o sepultamento.
Crise energética
O centro das hostilidades permanece sendo o Estreito de Ormuz.
O Irã reivindica o direito de supervisão sobre a hidrovia e exige que os navios utilizem suas rotas preferenciais, enquanto os EUA acusam o país de atacar repetidamente embarcações civis.
Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano, criticou a postura americana, afirmando que o estreito só será aberto sob as condições iranianas e não sob “ameaças americanas”.
Essa instabilidade afetou diretamente o mercado global.
Além de os EUA terem revogado a isenção de sanções sobre a indústria petrolífera iraniana, o preço do petróleo Brent subiu, sendo negociado em torno de 78 dólares o barril na quinta-feira, um valor consideravelmente superior aos 72 dólares registrados antes do início do conflito.
Embora Trump afirme que o Irã entrou em contato em busca de um acordo, Teerã permanece em silêncio sobre novas conversas, mantendo a retórica de bateu, levou.
Leia mais: EUA atacam 90 alvos no Irã, que responde em Kuwait e Bahrein
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