Governo Trump mira federação californiana que permitiu vitória de atleta trans
Gesto de Reese Hogan expôs conflito entre leis estaduais e regra federal pró-esporte feminino
A atleta Reese Hogan, de 16 anos, está se tornando um símbolo da resistência à participação de atletas transgêneros em competições femininas nos Estados Unidos.
Hogan, estudante da Crean Lutheran High School, registrou 11,33 metros no salto triplo — recorde da escola —, mas foi derrotada por Hernandez, atleta trans do sexo biológico masculino, que alcançou 12,60 metros. Hernandez também venceu o salto em distância, com 5,86 metros.
Após a premiação oficial, Hogan subiu no degrau mais alto do pódio e posou sorrindo como campeã, vestindo a camiseta com a inscrição “Protejam o Esporte Feminino” (Protect Girls Sports).
O gesto viralizou nas redes sociais e recebeu apoio de ativistas e figuras públicas como a ex-nadadora Riley Gaines.
A repercussão reforçou o embate entre o governo estadual da Califórnia, que desde 2014 permite a participação conforme identidade de gênero, e o governo federal.
Em fevereiro, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que proíbe a inclusão de atletas de sexo biológico masculino em categorias femininas no ensino público, sob o argumento de garantir igualdade de condições com base no Título IX.
A política da CIF, portanto, contraria a regra federal e está sob investigação pelo Departamento de Educação dos EUA, com risco de corte de repasses.
Segundo Hogan, ela e outras atletas foram orientadas a retirar camisetas com a mesma mensagem antes das etapas preliminares da competição, em 10 de maio.
Ela relatou ter recebido uma advertência velada sobre possíveis punições, embora nenhuma sanção oficial tenha sido aplicada.
O caso se soma a disputas semelhantes em estados como Illinois, Maine e Minnesota, onde o governo federal também contesta regras locais que permitem o ingresso de atletas trans em competições femininas.
Enquanto o processo avança, Reese Hogan passou a ser vista por parte do público como símbolo de uma reivindicação que ultrapassa as pistas de atletismo.
Em entrevista, ela afirmou: “Desejo boa sorte a Hernandez, mas na divisão masculina.” A rival respondeu que apenas segue as regras vigentes e que seu desempenho não é imbatível.
A disputa jurídica e política pode ter desdobramentos ainda em maio, com a realização das próximas fases da CIF e possíveis decisões judiciais sobre a legalidade das normas estaduais.
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