França ingovernável: direita e esquerda exigem saída de Macron
A esquerda quer a consideração imediata de uma moção de impeachment. A direita diz que a renúncia de Macron seria uma decisão sábia
Sébastien Lecornu pediu sua demissão do cargo de primeiro-ministro na manhã de segunda-feira, 6 de outubro, avultando a crise política na França.
Marine Le Pen, líder do partido Rassemblement National (RN), disse na segunda-feira, 6 de outubro, que a renúncia de Emmanuel Macron seria uma decisão “sábia”, mas, acima de tudo, apelou ao chefe de Estado para dissolver a Assembleia Nacional, o que ela considera “absolutamente inevitável”.
“Não preciso pedir que ele o faça. Se ele decidir fazê-lo, acho que seria uma decisão sábia, mais uma vez. O certo é que a dissolução (da Assembleia Nacional) é absolutamente inevitável”, insistiu a líder do partido de direita, após a renúncia de Sébastien Lecornu, menos de um dia após a formação de seu governo.
Éric Ciotti, líder da União das Direitas pela República (UDR) aliado ao RN, também pediu, na segunda-feira, 6, uma nova eleição presidencial após a demissão de Sébastien Lecornu. Para ele, apenas essa eleição permitiria “recuperar a legitimidade” diante da crise política atual.
Ciotti fez um apelo por um retorno às urnas: “Quando há crise, a única solução é a eleição (…), o retorno às urnas”, declarou o ex-líder dos Republicanos.
“O ideal seria naturalmente uma eleição presidencial, porque uma eleição legislativa, que precederá uma eleição presidencial em 16 meses, sempre poderá instalar uma situação de incerteza”, acredita o deputado.
É necessário “recuperar a legitimidade de um povo francês que hoje está revoltado, que vê tudo se degradar, que observa o aumento do desemprego, a queda do poder de compra, a explosão da insegurança nos bairros, como vivenciamos ainda em Nice na última sexta-feira, a imigração crescer sem limites e nossos serviços públicos se deteriorarem”, acrescentou.
La France Insoumise também quer impeachment de Macron
O partido La France Insoumise (LFI) pediu, por sua vez, consideração imediata na Assembleia Nacional de sua moção de impeachment do presidente Emmanuel Macron, após a renúncia de Sébastien Lecornu, pouco mais de doze horas após a nomeação de seu governo.
Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de extrema esquerda, escreveu no X, na manhã de segunda-feira, 6 de outubro: “Após a renúncia de Sébastien Lecornu, pedimos a consideração imediata da moção apresentada por 104 parlamentares pelo impeachment de Emmanuel Macron”
A moção de impeachment foi assinada pelos deputados do LFI, bem como por deputados dos grupos ecologista e comunista.
Ela denuncia a “incompetência, manifestamente incompatível com o exercício de suas funções, que constitui sua incapacidade de assegurar a estabilidade das instituições, de respeitar a soberania popular e de garantir o regular funcionamento dos poderes públicos”. A mesa da Assembleia deve examiná-la na quarta-feira.
Os deputados do LFI exigem a saída de Emmanuel Macron desde o verão de 2024, devido à sua recusa em nomear um primeiro-ministro de esquerda, apesar do fato de a aliança Nova Frente Popular ter vencido nas eleições legislativas — com uma maioria muito relativa.
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