França anuncia reconhecimento do Estado Palestino
Apoio à solução de dois Estados é condicionado à libertação de reféns do Hamas e à assinatura de um acordo de cessar-fogo, disse Emmanuel Macron em Nova York
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira, 22, que o país europeu reconhece oficialmente o Estado da Palestina. A declaração foi feita na sede da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York.
O reconhecimento formaliza um movimento iniciado em julho e ocorreu durante um evento internacional sobre a solução de dois Estados para o conflito no Oriente Médio. A medida objetiva afirmar a dignidade do povo palestino, segundo o chefe de Estado francês.
Macron, no entanto, estabeleceu que a abertura da embaixada da França no território palestino depende da devolução dos reféns detidos pelo Hamas. A concretização da representação diplomática também está vinculada à assinatura de um cessar-fogo.
Apoio e ausências em Nova York
O evento que serviu de palco para o anúncio foi presidido pela França em conjunto com a Arábia Saudita. O encontro tratou do caminho para encerrar o conflito na região Israel-Palestina.
Em seu pronunciamento, Macron enfatizou a razão do reconhecimento. O presidente afirmou que a existência do Estado palestino não acarreta prejuízo algum ao povo de Israel.
Sob aplausos dos presentes no salão da ONU, Macron declarou: “Esse reconhecimento é uma forma de afirmar que o povo palestino não é só mais um povo”.
Estados Unidos e Israel, que manifestam objeção à proposta de reconhecimento da Palestina e ao estabelecimento da solução de dois Estados, não estiveram presentes na reunião.
A postura de Paris, que teve seu início em julho, gerou um efeito em outras nações. Movimentos semelhantes de reconhecimento do Estado palestino foram realizados por países como o Reino Unido e o Canadá.
Exigências para o futuro Estado
A solução defendida pela França é a criação de um Estado palestino soberano e desmilitarizado. Tal entidade precisa ser reconhecida por Israel em uma área que, finalmente, experimente a paz.
O presidente francês detalhou que cabe à liderança palestina oferecer esperança ao seu povo, que está traumatizado por décadas de ocupação. Esta esperança deve se materializar na forma de um sistema democrático.
Macron mencionou compromissos acordados com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina. Abbas, contudo, não compareceu ao evento porque o governo de Donald Trump negou seu visto.
O líder da França expressou o desejo de que nações parceiras árabes reconheçam a existência de Israel. Essa normalização das relações entre países do Oriente Médio deveria ocorrer após o estabelecimento do Estado palestino.
Críticos dizem que reconhecimento é um “presente ao Hamas”
O reconhecimento do Estado Palestino formalizado pelo Reino Unido foi motivo de críticas de alguns analistas políticos.
Para o comentarista Giles Fraser, o “Hamas usa o sofrimento dos civis de Gaza como ferramenta de manipulação política”, e reconhecer formalmente a Palestina como Estado enviaria “sinais errados” ao grupo terrorista, como se suas ações estivessem legitimadas junto à comunidade internacional.
Leia também: “Presente ao Hamas”, diz analista britânico sobre reconhecimento do estado palestino
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Comentários (1)
Amadeus
22.09.2025 18:51O argumento de que o reconhecimento do estado palestino é um presente para o hamas , sistematicamente apresentado por Israel, é preguiçoso . Ele desconsidera o seu interesse de milhões de pessoas que há décadas pleiteia o reconhecimento e instituição de fato de um estado palestino .