Europa precisa assumir própria defesa, diz ministro alemão
Ministro da Defesa reage à decisão do governo Trump de retirar soldados da Alemanha
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, se manifestou neste sábado, 2, sobre a decisão dos Estados Unidos de retirar cerca de 5 mil soldados do país europeu. A ordem do governo Donald Trump, como mostramos, ocorre em meio ao desgaste entre Washington e Berlim provocado por declarações do chanceler Friedrich Merz sobre a guerra no Irã.
Pistorius afirmou que o movimento reforça a necessidade de a Europa assumir mais responsabilidades na área militar.
Segundo ele, a redução da presença americana já era esperada.
“Era previsível que os EUA retirassem tropas da Europa, incluindo da Alemanha”, disse.
Segundo o ministro, Berlim tem adotado medidas para responder a esse cenário, com ampliação das Forças Armadas, aceleração na compra de equipamentos e investimento em infraestrutura.
Ele disse ainda que, apesar do contexto político, a presença militar dos EUA segue sendo estratégica para ambos os países. Afirmou também que o número de soldados a ser retirado é limitado diante do total ainda instalado no território alemão.
O Pentágono informou que a retirada ocorrerá ao longo de seis a 12 meses e deve atingir cerca de 14% do contingente americano atualmente no país, estimado em cerca de 36 mil militares.
Crise entre Trump e Merz
O anúncio ocorre em meio a uma crise diplomática entre Washington e Berlim.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, criticou recentemente a condução dos EUA nas negociações envolvendo o Irã, e afirmou que os americanos estavam sendo “humilhados”.
A reação de Trump foi imediata, com críticas ao líder alemão e menção à possibilidade de retirar tropas.
Em publicação no Truth Social, o presidente americano afirmou:
“O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acha que está tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando! Não é de admirar que a Alemanha esteja em situação tão precária, tanto economicamente quanto em outros aspectos!”.
Presença militar
A Alemanha também abriga comandos militares importantes dos EUA, como o EUCOM e o AFRICOM, sediados em Stuttgart, que coordenam operações na Europa, África e Oriente Médio.
A Otan informou que está em diálogo com Washington para entender os detalhes da retirada.
Em nota, a porta-voz Allison Hart afirmou que a medida reforça a necessidade de maior investimento europeu em defesa, destacando avanços recentes após o compromisso de ampliar gastos militares.
“Estamos trabalhando com os EUA para entender os detalhes da decisão sobre a presença de forças na Alemanha. Esse ajuste ressalta a necessidade de a Europa continuar investindo mais em defesa e assumir uma parcela maior da responsabilidade por nossa segurança compartilhada — algo em que já vemos progresso desde que os aliados concordaram em investir 5% do PIB na cúpula da OTAN em Haia no ano passado”, escreveu.
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