EUA retiram 5 mil soldados da Alemanha após crise diplomática
Decisão do Pentágono reverte plano do governo Biden e surge na esteira de embate entre Trump e chanceler alemão
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira, 1° de maio, a retirada gradual de aproximadamente 5 mil militares na Alemanha. A ordem partiu do secretário de Defesa, Pete Hegseth, e marca uma virada na política de presença militar americana na Europa, em meio ao desgaste entre Washington e Berlim provocado por declarações do chanceler Friedrich Merz sobre a guerra no Irã.
Embate entre Trump e Merz
O estopim da crise foi uma fala de Merz na segunda-feira, 27, durante encontro com estudantes em Marsberg, na região de Sauerland. O chanceler afirmou que os Estados Unidos não dispõem de “uma estratégia verdadeiramente convincente” para encerrar o conflito com o Irã e que “uma nação inteira está sendo humilhada pela liderança iraniana” — referindo-se diretamente aos americanos.
Trump respondeu na terça-feira, pelo Truth Social: “O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acha que está tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando! Não é de admirar que a Alemanha esteja em situação tão precária, tanto economicamente quanto em outros aspectos!”
Impacto militar e reversão de acordos anteriores
O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou em comunicado que a decisão decorre de “uma análise minuciosa da presença militar do Departamento na Europa” e que “a retirada será concluída nos próximos seis a doze meses”. Segundo o Wall Street Journal, a medida envolve a saída de uma brigada do Exército americano.
A retirada também cancela um compromisso firmado entre Washington e Berlim na cúpula da Otan de 2024: o envio de um batalhão equipado com mísseis convencionais de longo alcance à Alemanha, previsto para este ano pelo governo Joe Biden.
A Alemanha concentra o maior contingente militar americano na Europa. Dados do Departamento de Defesa de dezembro de 2025 registravam 36.436 militares da ativa em solo alemão.
Pressão se estende à Itália e à Espanha
A tensão com aliados europeus não se restringe à Alemanha. Na quinta-feira, dia 30 de abril, Trump indicou que também estuda reduzir tropas na Itália e na Espanha. “A Itália não tem ajudado em nada. A Espanha tem sido horrível. Absolutamente”, disse o presidente ao ser questionado sobre possíveis cortes.
Com a Itália, o atrito se aprofundou após Roma recusar o uso de uma base aérea na Sicília para transporte de armamentos americanos destinados ao conflito com o Irã, além de críticas da primeira-ministra Giorgia Meloni a declarações de Trump sobre o Papa Leão XIV.
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