EUA fazem nova rodada de ataques contra o Irã
De acordo com o Centcom, a ofensiva pretende limitar ataques iranianos contra civis e navios comerciais
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou na noite desta segunda-feira, 13, o lançamento de uma nova rodada de ataques contra o Irã.
“Hoje, às 16h45 (horário do leste dos EUA), o Comando Central dos Estados Unidos iniciou a terceira noite consecutiva de ataques contra o Irã, sob a direção do comandante-em-chefe”, afirmou a agência em comunicado divulgado nas redes sociais.
Segundo o CENTCOM, as operações militares continuarão com o objetivo de enfraquecer as capacidades ofensivas das forças iranianas e reduzir sua capacidade de realizar ataques contra civis e contra o tráfego marítimo internacional.
“Esses ataques continuarão a impor um alto custo às forças iranianas e a degradar sua capacidade de alvejar civis inocentes e navios mercantes no Estreito de Ormuz”, diz a nota.
O anúncio ocorreu pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que atacaria o Irã “com muita força”.
Irã rebate Trump
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragachi, rebateu nesta segunda-feira, 13, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que o seu país é quem controla o Estreito de Ormuz.
O comentário foi feito após Trump anunciar a cobrança de um pedágio equivalente a 20% da carga transportada por navios que cruzarem a estratégica via marítima.
“Trump está absolutamente certo (…) Quem quer que forneça passagem segura e protegida para navios comerciais pelo Estreito de Ormuz deve ser compensado por esse serviço. O Irã sempre foi o guardião do Estreito e permanecerá assim para sempre. 20% é, claro, demais. Seremos justos”, disse o chanceler iraniano.
Aragachi prometeu responder com “firmeza” qualquer ação americana no estreito.
Os “guardiões” do Estreito
Mais cedo, Trump anunciou que os Estados Unidos vão cobrar uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz, região que tinha forçado o governo americano a forçar um acordo de cessar-fogo com o Irã, que foi desfeito no fim da semana passada.
“O Estreito de Ormuz está ABERTO e permanecerá ABERTO, com ou sem o Irã. Estamos reimpondo o BLOQUEIO AO IRÃ — assim chamado porque impede apenas que navios ou clientes do Irã entrem ou saiam. Todos os outros países terão acesso justo e livre ao Estreito”, disse o presidente americano em post em sua rede social, Truth Social.
“Os EUA serão, daqui em diante, conhecidos como ‘OS GUARDIÕES DO ESTREITO DE ORMUZ’; no entanto, nessa condição e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados — à taxa de 20% sobre toda a carga transportada — por quaisquer custos necessários para garantir a segurança e a proteção desta região extremamente volátil do mundo”, acrescentou Trump, finalizando:
“O processo e a estruturação começarão imediatamente. Agradeço a atenção de todos para este assunto!”
Mais ataques
Após uma nova noite de ataques, os Estados Unidos e o Irã parecem ter abandonado a trégua anterior, retornando ao estado de conflito intensificado.
Em resposta à imposição do pedágio americano no Estreito de Ormuz, o Irã prometeu vingança pela morte do seu antigo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Ali Bagheri Kani, do Conselho Supremo de Segurança Nacional, descreveu a retaliação como um “direito da nação iraniana”, refletindo a postura cada vez mais intransigente dos conservadores em Teerã.
O exército do Irã lançou ataques contra instalações americanas em Jordânia, Bahrein, Kuwait e Omã, enquanto forças dos EUA realizaram incursões para neutralizar a capacidade iraniana de atingir navios comerciais.
Estreito de Ormuz
A importância estratégica do Estreito de Ormuz é imensa. A região é responsável pelo trânsito de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito global. Foi o bloqueio iraniano no transporte local que levou Trump ao acordo de cessar-fogo, mas a trégua durou pouco.
O impacto econômico da nova tensão foi imediato: o preço do petróleo Brent subiu cerca de 5%, aproximando-se de 80 dólares por barril. Esse cenário remete a março, quando o tráfego foi quase totalmente interrompido por ameaças iranianas, causando desabastecimento global de combustível.
O impasse também é diplomático, pois há interpretações divergentes sobre o acordo assinado no mês passado. O Irã sustenta que o pacto lhe concede controle sobre o tráfego no estreito, enquanto Washington exige que a passagem permaneça aberta à navegação internacional.
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