EUA exigem reformas eleitorais e liberdade de imprensa na Venezuela
Para o secretário de estado Marco Rubio, o país ainda atravessa uma “fase de recuperação” depois da queda do ditador Nicolás Maduro
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou nesta quarta-feira, 3, que a Venezuela precisa de uma imprensa independente e de um órgão eleitoral reformulado antes de poder realizar eleições com credibilidade.
As declarações foram feitas durante audiência na Câmara dos Representantes, cinco meses após a queda de Nicolás Maduro, em operação conduzida pelos Estados Unidos. Para Rubio, o país ainda atravessa uma “fase de recuperação” que deve anteceder qualquer processo de transição política.
Condições para eleições
De acordo com informações divulgadas durante a audiência, Rubio listou uma série de requisitos que, segundo ele, precisam ser cumpridos antes de a Venezuela avançar para uma etapa eleitoral.
Entre eles, estão o fortalecimento da liberdade de imprensa, a reorganização dos partidos políticos e a criação de uma nova comissão eleitoral. “Temos dito isso repetidamente”, afirmou o secretário, referindo-se à última exigência.
Congressistas questionaram a possibilidade de o país realizar eleições até o fim de 2027 — data posterior às polêmicas eleições presidenciais de 2024, cujos resultados não foram reconhecidos pelos Estados Unidos, pela União Europeia e por diversos países da América Latina.
Rubio foi cauteloso: “Gostaríamos de ver isso o mais rápido possível, mas a realidade, lembrem-se, é que se passaram cinco meses, não cinco anos”.
Presença militar americana em Caracas
Também na quarta-feira, o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, visitou Caracas pela primeira vez em caráter oficial. O encontro com líderes da gestão interina venezuelana teve como pauta a estabilidade do país e o papel das forças militares dos EUA na execução de um plano apresentado pelo presidente Donald Trump.
Segundo o gabinete do general, a visita integra os esforços americanos de apoio à administração liderada por Delcy Rodríguez — que substituiu Maduro após sua derrubada.
Trump tem expressado aprovação à condução econômica da gestão interina, sobretudo pela abertura do setor petroleiro a investidores estrangeiros, com ênfase nos americanos.
Washington já reabriu sua embaixada em Caracas e vem incentivando empresas do país a retomar investimentos na Venezuela.
Maduro e sua esposa encontram-se atualmente nos Estados Unidos, onde aguardam julgamento em Nova York.
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