Espécie extinta na região há quase 200 anos volta às estepes e emociona conservacionistas
Primeiro grupo chegou em 2024, atravessou um inverno sob acompanhamento e ganhou a liberdade em junho do ano seguinte.
Uma espécie extinta na região por cerca de dois séculos voltou a caminhar livremente pelas estepes após transporte aéreo e um ano de adaptação. São cavalos-de-Przewalski, levados ao Cazaquistão em 2024 e soltos na natureza pela primeira vez em junho de 2025.
Qual espécie extinta na região retornou às estepes?
O animal é o cavalo-de-Przewalski, ou Equus przewalskii, equino baixo e robusto originário das planícies da Ásia Central. A pelagem castanha, a barriga mais clara e a crina curta e ereta ajudam a diferenciá-lo dos cavalos domésticos.
O cavalo-de-Przewalski é apresentado pelo projeto como a última espécie de cavalo verdadeiramente selvagem. Sua criação coordenada em zoológicos preservou descendentes usados posteriormente em reintroduções na Mongólia, na China e agora no Cazaquistão.

A espécie estava extinta em todo o planeta?
Não. O desaparecimento de quase 200 anos citado no título ocorreu nas estepes cazaques. Em escala mundial, a espécie sumiu da natureza no fim da década de 1960, mas continuou existindo sob cuidados humanos em instituições de conservação.
Programas internacionais conseguiram formar novos grupos e devolver animais a áreas naturais a partir da década de 1990. Portanto, a operação no Cazaquistão representa a restauração de uma população regional, e não o primeiro retorno mundial da espécie.
Como os cavalos voltaram ao Cazaquistão?
A primeira operação transportou sete cavalos da República Tcheca e da Alemanha em junho de 2024. Aviões militares levaram os animais até Arkalyk, de onde eles seguiram por várias horas em caminhões até o centro de reintrodução Alibi.
Depois de quase um ano em recintos de aclimatação, seis animais foram soltos em 4 de junho de 2025. O grupo, formado por um garanhão e cinco éguas, tornou-se o núcleo inicial de uma população livre na região de Altyn Dala.
A sequência ajuda a separar transporte, adaptação e soltura:
Por que os animais passam um ano em adaptação?
O inverno da estepe exige que os cavalos encontrem água e consigam retirar alimento sob a neve. O período controlado permite acompanhar saúde, comportamento, formação dos grupos e reação a mudanças extremas de temperatura antes da abertura dos recintos.
Depois da soltura, duas éguas do primeiro grupo receberam colares com GPS. Como a manada costuma permanecer unida, os sinais ajudam pesquisadores e guardas a acompanhar deslocamentos sem manter todos os indivíduos equipados.
A aclimatação prepara os animais para tarefas essenciais:
Por que o retorno também beneficia a estepe?
Grandes herbívoros modificam a vegetação enquanto pastam e circulam. Segundo as organizações envolvidas, os cavalos podem espalhar sementes e ajudar a recuperar processos naturais interrompidos quando desapareceram da região.
O efeito não será imediato nem depende apenas dos cavalos. A proposta integra a recuperação de áreas protegidas e de outras espécies, enquanto pesquisadores avaliam como os novos grupos utilizam pastagens, água e corredores da paisagem.
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O retorno dos cavalos já pode ser considerado concluído?
Ainda não. Cinco animais de uma segunda leva foram soltos em maio de 2026, enquanto novos cavalos chegaram no mês seguinte para iniciar a aclimatação. A meta é formar uma população viável e geneticamente diversa, não apenas realizar solturas isoladas.
O Zoológico de Praga coordena a seleção e os transportes com parceiros cazaques e europeus. Monitoramento por GPS, proteção da reserva e novas chegadas serão necessários até que os animais consigam manter gerações livres sem depender de reposições frequentes.
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