Espécie extinta na natureza há cerca de 40 anos retorna a 4 ilhas com quase 7 mil animais criados em zoológicos
Quatro ilhas receberam a maior soltura já feita pelo programa, enquanto marcas refletivas passaram a revelar sinais de reprodução.
Os caracóis Partula voltaram às florestas da Polinésia Francesa em uma liberação recorde realizada em 2025. Quase 7 mil exemplares criados por zoológicos foram levados a quatro ilhas, reunindo espécies extintas na natureza e outras criticamente ameaçadas.
Como os caracóis Partula desapareceram das ilhas?
As populações começaram a desabar nas décadas de 1980 e 1990 após a introdução do caracol-lobo-rosado. O predador havia sido levado ao arquipélago para controlar outro molusco invasor, mas passou a consumir espécies nativas que não possuíam defesa contra ele.
Os últimos representantes de 15 espécies e subespécies foram recolhidos no início dos anos 1990. Zoológicos de vários países formaram populações de segurança, evitando que linhagens inteiras desaparecessem enquanto pesquisadores preparavam áreas adequadas para futuras devoluções.

Como quase 7 mil animais retornaram à natureza?
A operação de 2025 levou exemplares criados em instituições da Europa e dos Estados Unidos até Tahiti, Moorea, Huahine e Raiatea. Onze espécies e subespécies viajaram mais de 15 mil quilômetros antes de serem distribuídas em locais selecionados dentro de suas ilhas de origem.
A Zoological Society of London classificou a ação como a maior liberação de Partula já realizada. O programa internacional já coordenou a devolução de quase 40 mil caracóis ao longo de dez anos.
O processo reuniu cuidados diferentes antes da soltura:
Por que as conchas receberam tinta refletiva?
Antes da soltura, cada concha recebeu um pequeno ponto de tinta branca refletiva. Sob luz ultravioleta, a marca aparece azul e permite que as equipes encontrem os animais durante a noite, período em que eles ficam mais ativos nas folhas e nos troncos.
O método ajuda a diferenciar exemplares libertados daqueles nascidos no ambiente. Em Huahine, pesquisadores encontraram um jovem Partula varia sem marca, o primeiro indivíduo selvagem registrado para essa espécie em mais de 30 anos e um sinal de reprodução após a reintrodução.
Os registros de campo mostraram avanços diferentes:
O retorno significa que as espécies estão recuperadas?
A soltura não elimina as ameaças. Predadores invasores, habitat alterado e populações pequenas continuam exigindo monitoramento, reprodução em zoológicos e novas liberações. Algumas linhagens seguem classificadas como extintas na natureza ou criticamente ameaçadas, apesar dos resultados positivos.
O caracol-lobo-rosado permanece um exemplo de controle biológico que provocou consequências inesperadas. Para os Partula, a recuperação dependerá da sobrevivência, do nascimento de novas gerações e da capacidade de ocupar novamente as florestas sem assistência constante.
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