Espécie desaparecida por mais de 120 anos reaparece nas montanhas e moradores locais ajudam cientistas a encontrá-la novamente

17.10.2026

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Espécie desaparecida por mais de 120 anos reaparece nas montanhas e moradores locais ajudam cientistas a encontrá-la novamente
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6 minutos de leitura 16.08.2026 21:33 comentários
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Espécie desaparecida por mais de 120 anos reaparece nas montanhas e moradores locais ajudam cientistas a encontrá-la novamente

Comunidades das montanhas sabiam onde o pequeno mamífero vivia, enquanto expedições e câmeras ampliaram o mapa conhecido pela ciência.

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Espécie desaparecida por mais de 120 anos reaparece nas montanhas e moradores locais ajudam cientistas a encontrá-la novamente

A espécie desaparecida da ciência por mais de 120 anos voltou a ser documentada nas montanhas do sul do México, onde moradores nunca deixaram de conhecê-la. Buscas iniciadas em 2019 combinaram entrevistas, câmeras e expedições até confirmar um pequeno coelho de cauda escura.

Qual é a espécie desaparecida por mais de 120 anos?

Trata-se do coelho-de-Omiltemi (Sylvilagus insonus), um mamífero endêmico do estado mexicano de Guerrero. A espécie foi descrita pela ciência em 1904 e permaneceu sem observações científicas consistentes de indivíduos vivos por mais de um século.

A Re:wild classifica o animal como perdido para a ciência por mais de 120 anos. Ainda assim, houve uma pele doada em 1998 e uma possível fotografia em 2005, sinais de que ele nunca havia desaparecido de fato.

Espécie desaparecida por mais de 120 anos reaparece nas montanhas e moradores locais ajudam cientistas a encontrá-la novamente
Espécie desaparecida por mais de 120 anos reaparece nas montanhas e moradores locais ajudam cientistas a encontrá-la novamente

Como moradores locais ajudaram a localizar o animal?

As comunidades montanhosas tiveram papel direto porque conheciam o coelho mesmo quando os registros científicos eram escassos. Durante entrevistas realizadas pela equipe a partir de 2019, moradores relataram onde o animal aparecia e como distingui-lo de outros coelhos da região.

Em 2020, caçadores locais entregaram aos pesquisadores exemplares que haviam capturado anteriormente. Esses relatos ajudaram a direcionar as buscas para florestas de coníferas em maior altitude, depois que as primeiras tentativas próximas a Chilpancingo não encontraram sinais da espécie.

O que os pesquisadores encontraram nas montanhas?

A equipe liderada por José Alberto Almazán-Catalán visitou 10 áreas de Guerrero ao longo de cinco anos e encontrou o coelho em sete delas. O resultado mostrou que a distribuição conhecida era maior do que a ciência reconhecia antes das novas buscas.

Outro levantamento, baseado em armadilhas fotográficas usadas entre 2009 e 2024, reuniu 311 registros em 44 localidades. O estudo confirmou a presença do animal em cinco dos 12 municípios amostrados na Sierra Madre del Sur.

Os principais números ajudam a dimensionar a redescoberta:

●
Sete das dez áreas visitadas pela expedição tiveram registros do coelho
●
311 registros foram obtidos em 44 localidades por outro levantamento científico
●
A área de distribuição confirmada nesse estudo alcança pelo menos 542 km²
●
A maioria dos registros ocorreu em florestas de pinheiro e carvalho

O que distingue o coelho-de-Omiltemi de outros coelhos?

O coelho-de-Omiltemi é menor que outros coelhos encontrados na mesma região e possui orelhas relativamente pequenas. A característica mais fácil de notar é a cauda curta e preta, diferente da cauda branca associada a muitos animais chamados de cottontail.

Os indivíduos observados pela expedição também não apresentaram manchas brancas no pelo. Essas características ajudaram moradores e pesquisadores a separar a espécie de outros coelhos presentes nas montanhas de Guerrero durante entrevistas e observações de campo.

Onde a espécie vive e o que os novos registros mostram?

Os registros conhecidos concentram-se nas partes médias e altas da Sierra Madre del Sur. O estudo publicado na Revista Mexicana de Mastozoología encontrou 88% dos registros em florestas de pinheiro e carvalho e 12% em floresta nublada.

As câmeras também indicaram atividade predominantemente noturna, com picos por volta de 19h, 2h e 5h. Para os autores, os dados mostram uma espécie rara, mas mais distribuída e mais comum em áreas adequadas do que os registros históricos faziam parecer.

Os novos dados organizam melhor o que já se sabe:

Dado O que representa Relevância
542 km² Área mínima confirmada
Faixa conhecida na Sierra Madre del Sur
Amplia a distribuição conhecida
88% Registros de habitat
Ocorrências em florestas de pinheiro e carvalho
Indica habitat predominante
Atividade noturna Picos em três horários
Maior registro no início da noite e madrugada
Ajuda futuros monitoramentos

Leia também: Depois de fechar 343 das 587 lojas, desativar três centros de distribuição e acumular R$ 1,1 bilhão de passivo

Por que a redescoberta ainda não encerra a preocupação com a espécie?

A confirmação de que o coelho existe não significa que sua população esteja segura. A espécie continua pouco estudada e com distribuição restrita, além de ainda precisar de dados mais precisos sobre abundância, reprodução, uso do habitat e possíveis efeitos da caça.

Os pesquisadores defendem que novas medidas sejam construídas junto às comunidades locais e autoridades ambientais. O próprio caso mostra por quê: enquanto a ciência tinha poucos registros, moradores das montanhas continuavam reconhecendo o animal e forneceram informações decisivas para encontrá-lo novamente.

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