Espécie desaparecida de antigas águas por mais de 110 anos volta ao rio em operação para impedir que suma de vez
Operação devolveu adultos a águas frias de Battle Creek para ampliar as áreas de reprodução e reduzir a vulnerabilidade da população.
Uma espécie desaparecida de antigas áreas de reprodução voltou a uma parte histórica de Battle Creek, na Califórnia, após mais de 110 anos de ausência. Em 2022, cerca de 300 salmões Chinook adultos foram levados a águas frias para aumentar as chances de reprodução.
Qual espécie voltou a uma área histórica de Battle Creek?
O animal é o salmão Chinook de corrida de inverno (Oncorhynchus tshawytscha) do rio Sacramento, população protegida como ameaçada de extinção. O retorno ocorreu na parte superior do North Fork Battle Creek, no norte da Califórnia.
Em 2022, equipes começaram a transportar cerca de 300 adultos para habitat acima da Eagle Canyon Dam. O Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia registrou que era a primeira volta a esse trecho em mais de 110 anos.

Por que esses salmões deixaram de alcançar as águas antigas?
Instalações hidrelétricas e barreiras naturais impedem os adultos de alcançar as porções superiores de Battle Creek. Isso afastou os peixes de águas frias alimentadas por nascentes, importantes porque a reprodução ocorre quando o calor do verão pode comprometer os ovos.
A população também sofreu com secas, temperaturas elevadas, predadores e outros fatores. A operação de 2022 buscou reduzir perdas e criar outra oportunidade de reprodução além dos trechos mais vulneráveis do rio Sacramento.
Como funcionou a operação com cerca de 300 salmões?
Os biólogos transportaram adultos que retornavam para reprodução até a parte superior do North Fork Battle Creek. O objetivo era permitir a desova em ambiente mais frio do que muitos trechos disponíveis rio abaixo durante períodos de seca.
Os filhotes que nascessem no riacho poderiam seguir corrente abaixo e alcançar o rio Sacramento. As equipes também planejavam acompanhar sobrevivência e reprodução para avaliar se o habitat histórico poderia sustentar novas gerações.
A operação reuniu alguns pontos centrais:
Por que a temperatura da água faz tanta diferença?
Água fria aumenta a chance de os ovos atravessarem o verão. Essa população retorna à água doce meses antes da desova e depende de temperaturas adequadas justamente quando rios de menor altitude podem ficar quentes demais.
Battle Creek possui trechos abastecidos por nascentes e situados em maior altitude. Devolver adultos a essas áreas amplia os ambientes usados pela população e reduz sua dependência de um único trecho sujeito a secas e calor intenso.
Os contrastes ajudam a entender a escolha do local:
Battle Creek já havia mostrado que os salmões podiam retornar?
Sim. Um programa iniciado em 2018 já liberava juvenis em partes mais baixas de Battle Creek. Muitos migraram para o oceano e alguns retornaram adultos para desovar, indicando que o sistema ainda podia sustentar o ciclo migratório.
Em 2020, o U.S. Fish and Wildlife Service registrou pelo menos 700 Chinook de inverno retornando a Battle Creek. A operação de 2022 levou o esforço adiante ao recolocar adultos na parte superior histórica.
O retorno significa que essa população deixou de correr risco?
Não. Transportar adultos para águas mais frias aumenta as oportunidades de reprodução, mas não elimina as ameaças. Secas, temperaturas elevadas, barreiras à migração e baixa sobrevivência de ovos e juvenis continuam exigindo manejo.
O valor da operação está em reconstruir opções. Depois de mais de 110 anos sem acesso ao trecho superior, cerca de 300 adultos voltaram a uma área histórica, permitindo testar se a recuperação de habitat pode ajudar a criar uma população mais resistente.
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