Entenda o julgamento de Netanyahu, as pressões de Trump e o adiamento de audiências
Primeiro-ministro de Israel agradeceu ao presidente dos EUA pela segunda manifestação de apoio
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, agradeceu no X, na manhã deste domingo, 29, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela segunda manifestação de apoio, em três dias, no caso do julgamento do qual é alvo em seu país.
“Obrigado de novo, Donald Trump. Juntos, faremos o Oriente Médio Grande Novamente!”, escreveu Netanyahu, parafraseando o slogan MAGA (“Make America Great Again”), com o qual Trump conclamou o povo americano a Fazer a América Grande Novamente.
Na noite de sábado, 28, o presidente dos EUA – que já havia se manifestado na quarta-feira, 25 – repetiu nas redes sociais que não vai tolerar o que chamou de “Caça às Bruxas”:
“É terrível o que estão fazendo em Israel com Bibi Netanyahu. Ele é um Herói de Guerra e um primeiro-ministro que fez um trabalho fabuloso em conjunto com os Estados Unidos para obter grande sucesso na eliminação da perigosa ameaça nuclear no Irã.
É importante ressaltar que ele está atualmente negociando um acordo com o Hamas, que incluirá a devolução dos reféns.
Como é possível que o primeiro-ministro de Israel seja forçado a ficar sentado em um tribunal o dia todo, por NADA (charutos, boneco do Pernalonga, etc.)? É uma CAÇA ÀS BRUXAS POLÍTICA, muito semelhante à Caça às Bruxas que fui forçado a suportar.
Essa farsa de ‘Justiça’ interferirá nas negociações entre o Irã e o Hamas. Em outras palavras, é uma INSANIDADE fazer o que os promotores descontrolados estão fazendo com Bibi Netanyahu.
Os Estados Unidos gastam bilhões de dólares por ano, muito mais do que qualquer outra nação, protegendo e apoiando Israel. Não vamos tolerar isso. Acabamos de ter uma Grande Vitória com o primeiro-ministro Bibi Netanyahu no comando — e isso mancha muito a nossa Vitória. DEIXEM BIBI IR, ELE TEM UM GRANDE TRABALHO A FAZER!”.
O líder da oposição, Yair Lapid, já havia dito após a primeira manifestação de Trump que ele não deveria se meter no assunto.
“Com todo o respeito e gratidão ao presidente dos Estados Unidos, ele não deve intervir em um processo legal de um Estado independente. Espero e suponho que essa seja uma recompensa que ele (Trump) está dando a ele (Netanyahu) porque está planejando pressioná-lo sobre Gaza e forçá-lo a um acordo de reféns que acabará com a guerra”, declarou Lapid.
O julgamento
Indiciado em 2019 por recebimento de suborno, fraude e quebra de confiança, Netanyahu começou a ser julgado em 2020 e se declarou inocente em todos os casos.
O primeiro envolve presentes e brindes valiosos recebidos pelo então ministro das Comunicações e por sua esposa, Sarah, dos amigos abastados Arnon Milchan e James Packer. Ambos presentearam Netanyahu com caixas de charutos e garrafas de champanhe caros, além de joias para Sarah. Ele foi acusado de ter auxiliado Milchan em assuntos ligados aos interesses comerciais do amigo.
O segundo caso trata de conversas gravadas que Netanyahu teve com Arnon “Noni” Mozes, presidente e editor do Yedioth Ahronoth, um dos maiores jornais em circulação em Israel e visto como crítico ao primeiro-ministro. Eles debateram a possibilidade de diminuir a circulação do jornal concorrente Israel Hayom, visto como simpático a Netanyahu e pertencente a seu amigo Sheldon Adelson, em troca da contratação de jornalistas que direcionariam o Yedioth a ser mais favorável a ele. Mozes foi acusado de tentativa de suborno.
O terceiro caso se refere ao relacionamento do conglomerado de telecomunicações Bezeq com o seu regulador, o Ministério da Comunicações, então chefiado por Netanyahu. A acusação envolve falsificação de documentos que teriam levado a transações comerciais de interesse do proprietário do Bezeq, Shaul Elovitch, em troca de relatórios favoráveis de Netanyahu para o Walla!, portal popular de notícias, compras on-line e outros serviços.
As audiências
O julgamento criminal de Netanyahu está em fase de interrogatório, onde se estima que permaneça por cerca de um ano, antes que um veredito possa ser proferido.
Os juízes Rivka Friedman-Feldman, Moshe Bar-Am e Oded Shaham, do Tribunal Distrital de Jerusalém, anunciaram neste domingo, 29, que as audiências – que vinham sendo realizadas duas vezes por semana – não acontecerão nesta semana e que há um ponto de interrogação pairando também sobre a próxima.
O anúncio veio na sequência da nova pressão de Trump, o que naturalmente gerou discussões sobre ter sido ou não apenas uma coincidência, assim como há discussões sobre o uso da guerra para protelar o julgamento. De qualquer forma, há outros elementos nessa história.
Quando Israel atacou instalações nucleares do Irã em 13 de junho, os tribunais entraram em modo operacional de emergência, o que incluiu os casos do primeiro-ministro.
Quando um cessar-fogo foi convocado entre Israel e o Irã, e operações não essenciais em todo o país foram retomadas, a equipe de defesa de Netanyahu pediu para pausar as audiências por duas semanas, alegando ser uma necessidade significativa para o primeiro-ministro a de se concentrar na frente de atuação em Gaza e na questão dos reféns.
A promotoria rejeitou o pedido, e o tribunal decidiu que não havia razão para cancelar, apenas para começar tarde na segunda-feira.
Os juízes, no entanto, tomaram sua decisão neste domingo com base em uma reunião a portas fechadas com o primeiro-ministro e outros funcionários de segurança, como o chefe de inteligência das Forças de Defesa de Israel, major-general Shlomi Binder, e o chefe do Mossad, David Barnea.
A visita de Netanyahu ao Tribunal Distrital de Jerusalém surpreendeu até a imprensa israelense, já que ele havia pressionado para que as audiências agendadas acontecessem no Tribunal Distrital de Tel Aviv – onde elas vêm sendo realizadas ultimamente – devido a preocupações de segurança.
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