Engenheira aeronáutica Alba de la Cruz larga multinacional em Sevilha, na Espanha, e volta a Estepa para fazer até 300 quilos de mantecados por dia
Alba de la Cruz trabalha com o pai e a irmã no obrador da família, com forno de quase um século, numa cidade que deve produzir 15 mil toneladas de doces de Natal em 2026
A espanhola Alba de la Cruz, de 34 anos, formou-se em engenharia aeronáutica, trabalhou numa multinacional em Sevilha e decidiu largar a carreira para voltar a Estepa, cidade da província de Sevilha, no sul da Espanha. Ali ela passou a trabalhar no obrador da família, uma pequena fábrica de mantecados e polvorones, os biscoitos mais associados ao Natal espanhol.
O obrador, a Dulcería La Abuela Asunción, produz no máximo 300 quilos de doces por dia, segundo reportagem do site Directo al Paladar, publicada em 27 de outubro. A amassadeira e o forno usados pela família estão perto de completar um século de uso, de acordo com a mesma reportagem.
Da engenharia aeronáutica ao forno da família
A história ganhou projeção depois que Alba apareceu no programa Los Repobladores, da emissora pública andaluza Canal Sur. Em espanhol, ela resumiu a escolha dizendo que é engenheira aeronáutica, mas que no fim não conseguiu lutar contra o coração.

Na mesma conversa, deu a frase que virou título na imprensa espanhola: “Os aviões me fascinam, mas os mantecados correm nas minhas veias”. Para fazer a mudança, contou, teve de deixar Sevilha e a multinacional, onde estava havia cerca de cinco anos, segundo o portal catarinense NSC Total.
O pai, Miguel de la Cruz Jurado, toca o negócio. Segundo o Directo al Paladar, ele saiu da fábrica La Confitera San Jerónimo para abrir o próprio obrador, levando adiante o ofício herdado do avô de Alba, Antonio de la Cruz González. A irmã de Alba também se juntou à empresa e criou a receita do polvoroncito de la abuela, um dos produtos da casa.
Uma fábrica de doces que faz tudo à mão
O que separa a fábrica de doces da família das grandes concorrentes é a escala. Enquanto o obrador fica nos 300 quilos diários, Alba citou ao Directo al Paladar linhas industriais capazes de produzir milhares de quilos por hora.
Parte do processo continua manual. Alba descreveu ao site que a massa é boleada à mão, uma etapa que as fábricas maiores fazem com máquinas e moldes. O pai atribuiu às filhas a renovação da empresa, dizendo que o impulso de sangue novo revolucionou o negócio, segundo o NSC Total.
O que são mantecados e polvorones
Os dois doces têm a mesma base: farinha de trigo, banha de porco e açúcar de confeiteiro, de acordo com a ficha técnica do Foods and Wines from Spain, portal do órgão de comércio exterior do governo espanhol. Podem levar canela, gergelim, amêndoa, avelã, coco, cacau, limão ou azeite de oliva extra virgem no lugar da banha.
O mantecado costuma ser redondo; o polvorón, oval, leva amêndoa torrada e se desfaz na boca. O nome vem de polvo, que significa pó em espanhol, enquanto mantecado deriva de manteca, a banha. Pela regra da indicação geográfica, cada unidade tem no máximo 32 gramas, ou até 50 gramas nas versões artesanais e com azeite, segundo o mesmo portal.
Estepa, a capital espanhola do doce de Natal
Estepa concentra a produção do país. Para a temporada de 2026, o setor prevê mais de 15 mil toneladas de mantecados e polvorones, volume parecido com o do ano passado, segundo o presidente do Conselho Regulador das indicações geográficas, José María Fernández, ouvido pelo Alimarket em setembro.
Ainda segundo o Alimarket, 18 empresas estão sob as indicações geográficas protegidas Mantecados de Estepa e Polvorones de Estepa, com cerca de 2.200 empregos diretos, 85% deles ocupados por mulheres. Fernández definiu o setor como formado por empresas familiares que fazem um esforço importante ano após ano.
A temporada começa no fim do verão europeu e vai até dezembro, quando os doces chegam às mesas espanholas. Histórias de quem troca a cidade pelo interior já apareceram no site, como a da mulher que trocou o barulho da cidade pela Serra da Mantiqueira, assim como explicações de cozinha espanhola, caso da engenheira de alimentos Montse Meléndez sobre o arroz guardado na geladeira.
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