Elon Musk apresenta Grok 4 e comenta polêmica
Versão anterior do bot de inteligência artificial gerava publicações antissemitas e politicamente incorretas
Elon Musk, dono do X e fundador da xAI, apresentou o Grok 4, a nova versão de seu modelo de inteligência artificial. Como sempre, prometeu o extraordinário.
No evento transmitido na plataforma X, Musk descreveu o Grok 4 como o “assistente de IA mais potente do mundo” – e aproveitou a viagem para defender a visão da xAI depois da repercussão de um certo escândalo que resultou na suspensão temporária da capacidade de resposta textual do bot.
Que escândalo? A inteligência artificial do Grok andou imitando a burrice natural dos humanos e se meteu a gerar respostas antissemitas ou “politicamente incorretas”. Até tu, Grok?
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Voltando à visão do visionário…
A demonstração do Grok 4 foi otimista. Musk garantiu o “ritmo de desenvolvimento” para a inteligência artificial da xAI e disse que o Grok 4 seria a “IA mais inteligente do planeta”. 1,5 milhão de espectadores assistiam à transmissão.
Em um teste acadêmico feito para grandes modelos de linguagem, o Humanity’s Last Exam, o novo Grok conseguiu resolver 1/4 das questões baseadas em texto sem o auxílio de ferramentas adicionais, um resultado comparável ao de outras ferramentas avançadas no mercado.
Musk acredita que o Grok poderá, em breve, interagir com o mundo através de robôs humanoides, e especulou sobre a capacidade da IA de “descobrir novas tecnologias úteis” e até mesmo “novas leis da física” já no próximo ano.
Durante a apresentação, foram anunciadas cinco novas opções de voz para o Grok e uma redução significativa na latência das respostas, tornando-as mais ágeis. A xAI também revelou planos para investimento em geração e compreensão de vídeo.
A polêmica nazi
De acordo com Hayden Field, jornalista sênior de IA do portal The Verge, uma recente atualização dos prompts do sistema do chatbot, implementada no domingo anterior à demonstração, orientava o Grok a “considerar tendenciosos os pontos de vista subjetivos oriundos da mídia” e a “não hesitar em fazer afirmações politicamente incorretas”.
Essa alteração foi prontamente seguida por uma série de publicações antissemitas geradas pelo Grok na plataforma X, que incluíam apoio a visões pró-Hitler e insinuações sobre o envolvimento de pessoas de fé judaica em “ativismo extremista de esquerda” e “anti-branco”.
Os posts viralizaram, levando a xAI a suspender as capacidades de geração de texto do chatbot enquanto buscava uma solução para o problema (era problema, então?).
Musk comentou o incidente na transmissão, afirmando que o “Grok estava excessivamente complacente com as solicitações dos usuários, demasiadamente ávido por agradar e ser manipulado”, e garantiu que a questão estava sendo corrigida. Enfatizou que a principal característica da IA deveria ser a “busca máxima pela verdade”.
Que bom.
Hayden Field nota que esse não foi o primeiro probleminha “comportamental” do Grok. Houve tentativas anteriores de ajustar a perspectiva do bot, como a remoção de comentários que defendiam a pena de morte para figuras públicas e a inserção de discussões sobre o “genocídio branco” na África do Sul em respostas diversas.
Entre uma polêmica e outra, Linda Yaccarino, a CEO do X que havia substituído Elon Musk dois anos atrás, anunciou sua renúncia ao cargo.
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