“É hora de pôr um fim nisso”, diz cineasta iraniano Jafar Panahi
Movimento popular é reprimido pelo regime; mais de 3 mil pessoas morreram em duas semanas de protestos
O cineasta iraniano Jafar Panahi denunciou o uso de força militar contra civis em solo iraniano e cobrou uma postura ativa de governos estrangeiros contra o regime. Estimativas indicam que a repressão estatal já matou cerca de 3 mil cidadãos em duas semanas de levantes populares. Jovem preso em manifestação será executado amanhã.
As mobilizações tiveram início após o encarecimento de itens básicos de consumo. No entanto, o foco das queixas mudou para o controle político estabelecido em 1979. Panahi classifica os manifestantes como pessoas sem meios de defesa diante do aparato de segurança.
Em declarações à rádio France Inter, o cineasta afirmou que “é hora de pôr um fim nisso”. Ele observa que a estrutura política atual demonstra sinais de exaustão perante os ciclos de revolta que ocorrem desde 2009.
Leia também: Irã marca execução de jovem preso em manifestação contra o regime
Crise de legitimidade e repressão militar
Para o autor do filme Foi Apenas um Acidente, “parece que o regime está num beco sem saída, e os protestos deste ano parecem ser os mais importantes de todos os que aconteceram até agora”.
O número de vítimas fatais cresce conforme novos vídeos circulam em redes sociais. Durante compromissos profissionais nos Estados Unidos, o cineasta acompanhou notícias sobre prisões e óbitos de cidadãos iranianos.
O diretor alertou sobre os riscos da omissão de outras nações diante do cenário atual: “Qualquer silêncio hoje, em qualquer parte do mundo, um dia terá de responder perante a história”, declarou o vencedor da Palma de Ouro.
Condenação jurídica e retorno ao território nacional
Panahi foi condenado a um ano de reclusão pela justiça do Irã. A acusação envolve a disseminação de mensagens classificadas como contrárias à gestão de Teerã.
Mesmo com a restrição de viagem de dois anos e o risco de encarceramento, confirmou a intenção de retornar ao Irã. O retorno deve ocorrer após o encerramento da campanha de divulgação de seu filme nos Estados Unidos.
Sua produção cinematográfica premiada no Festival de Cannes reflete experiências de detenções anteriores. O roteiro baseia-se no período em que o profissional esteve detido por condutas rotuladas como propaganda antigovernamental.
No momento, o diretor aguarda os desdobramentos das premiações internacionais enquanto manifesta apreensão.
Leia mais: Cineasta Jafar Panahi confirma volta ao Irã para cumprir pena
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)