Cineasta Jafar Panahi confirma volta ao Irã para cumprir pena
Diretor, no exterior para divulgação de filme, reitera que não pretende deixar o país natal apesar da sentença por “propaganda”
O cineasta iraniano Jafar Panahi, 65, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, anunciou sua intenção de voltar ao Irã depois de concluir a turnê internacional para divulgar seu filme Foi Apenas um Acidente, em campanha do Oscar. Ele foi condenado a um ano de prisão, além de restrições de movimento e associação, acusado de “atividades de propaganda” contra o regime.
Panahigarantiu que a possibilidade de exílio nunca foi considerada, mesmo diante das dificuldades enfrentadas: “Embora tenha tido a oportunidade, mesmo nos anos mais difíceis, nunca pensei em deixar meu país para ser um refugiado”, segundo declarações publicadas pela Variety.
“Só tenho um passaporte”, ponderou Panahi. “É o passaporte do meu país e pretendo mantê-lo”.
A sentença impõe, além da pena de detenção de 12 meses, a proibição de viajar por dois anos e de filiar-se a quaisquer grupos de natureza política ou social. O advogado do cineasta, Mostafa Nili, informou sobre a decisão na segunda-feira e garantiu que recorrerá.
Apesar do risco, Panahi confirmou a continuidade da campanha promocional de seu filme. Foi Apenas um Acidente concorre ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro, representando a França na premiação: “Essa condenação chega no meio desse processo, mas vou terminar minha campanha e retornarei ao Irã assim que possível”, prometeu o diretor.
O vencedor do Urso de Ouro pelo filme Táxi Teerã (2015) disse que “o país onde vivemos é o melhor lugar para viver, não importam os problemas, as dificuldades”.
“Meu país é o lugar onde posso respirar, onde posso encontrar um motivo para viver e onde encontro força para criar. Os problemas que o Irã enfrenta hoje são temporários”, declarou.
Não é fácil ser artista no Irã
A condenação se soma a um histórico de embates do cineasta com o sistema de justiça iraniano. Panahi já havia sido detido em duas ocasiões anteriores.
A primeira detenção ocorreu em 2010 e durou 86 dias. A segunda prisão somou sete meses de encarceramento, entre os anos de 2022 e 2023. Ele só obteve a liberdade após conduzir uma greve de fome.
Durante 15 anos, o diretor sofreu com proibições de movimento e foi impedido de deixar o país. A permissão para viajar foi concedida em maio passado, o que possibilitou sua ida a Cannes, no sul da França, para o lançamento internacional de sua produção.
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Comentários (1)
MARCOS
17.12.2025 08:52É UM SUICIDA.