Dona de cerca de 100 shoppings entra em falência depois que lojas deixam de pagar aluguel e crise atinge centros comerciais inteiros
A crise de uma grande dona de shoppings atravessou lojas, aluguéis e dívidas, mostrando como o problema de lojistas chegou aos proprietários.
A dona de cerca de 100 shoppings entrou em Chapter 11 após a pandemia reduzir o movimento e pressionar o pagamento de aluguéis. A Washington Prime Group controlava 102 centros comerciais nos Estados Unidos quando iniciou sua reestruturação judicial em junho de 2021.
Qual era a dona de cerca de 100 shoppings que entrou em falência?
A empresa era a Washington Prime Group, uma companhia imobiliária especializada na propriedade e administração de centros comerciais. Seu portfólio reunia 102 propriedades, entre shoppings fechados e centros de compras ao ar livre espalhados pelos Estados Unidos.
Em 13 de junho de 2021, a companhia e algumas subsidiárias entraram voluntariamente no Chapter 11 no Tribunal de Falências do Distrito Sul do Texas. O procedimento buscava reorganizar a dívida sem simplesmente fechar todos os centros comerciais.

Por que a queda no pagamento de aluguel atingiu a empresa?
A Washington Prime dependia principalmente dos aluguéis pagos pelos lojistas instalados em suas propriedades. Quando restrições sanitárias reduziram o movimento e fecharam temporariamente lojas, restaurantes e outros negócios, vários inquilinos passaram a atrasar pagamentos ou enfrentar suas próprias falências.
O problema ampliou uma pressão que já existia no setor, especialmente com o fechamento de grandes lojas âncoras e a expansão do comércio eletrônico. Menos receita de aluguel dificultava pagar dívidas e manter investimentos necessários para preservar o valor dos centros comerciais.
Os fatores que pressionaram a operação podem ser resumidos assim:
O Chapter 11 significou o fechamento dos 102 centros comerciais?
Não. O Chapter 11 permite reorganizar uma empresa sob supervisão judicial, e os shoppings da Washington Prime continuaram operando durante o processo. A companhia obteve financiamento para manter atividades durante as negociações.
O colapso financeiro atingiu a proprietária dos imóveis, mas não exigiu o fechamento simultâneo das propriedades. Lojas e restaurantes continuaram funcionando conforme as condições de cada centro comercial.
Qual era o tamanho da reestruturação financeira?
O acordo de reestruturação previa reduzir o endividamento da Washington Prime em quase US$ 950 milhões. A companhia também obteve US$ 100 milhões em financiamento durante o processo para ajudar a sustentar despesas e operações cotidianas.
Um registro da companhia na SEC confirma que o Chapter 11 começou em 13 de junho de 2021. O plano transferiu grande parte do controle econômico para credores e reorganizou a estrutura de capital.
Os números mostram como o caso ultrapassava uma crise isolada de um único shopping:
Como a crise dos lojistas se espalha para a dona do shopping?
Uma administradora de shopping depende de ocupação e pagamentos recorrentes para sustentar imóveis, reformas e dívidas. Quando lojas fecham ou deixam de pagar, a receita cai e espaços vazios podem diminuir o movimento, afetando também outros comerciantes instalados no mesmo local.
Grandes lojas âncoras têm efeito ainda maior porque ocupam áreas extensas e ajudam a atrair consumidores. A Washington Prime já alertava em documentos corporativos que falências e fechamentos de inquilinos poderiam dificultar a locação de áreas vagas e prejudicar propriedades inteiras.
Leia também: Depois de fechar 343 das 587 lojas, desativar três centros de distribuição e acumular R$ 1,1 bilhão de passivo
A Washington Prime desapareceu depois da falência?
Não. A Washington Prime concluiu sua reorganização ainda em 2021, deixando o Chapter 11 com uma estrutura financeira diferente e passando ao controle de novos proprietários. Portanto, o pedido judicial não representou uma liquidação imediata de todos os seus shoppings.
O episódio mostrou como a crise do varejo chegou aos donos dos imóveis. Quando lojistas perderam receita, a pressão passou para os aluguéis e depois para a estrutura financeira de uma proprietária com cerca de 100 centros comerciais.
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