Depois de décadas como uma grande rede de departamentos, varejista entra em falência e fecha 149 lojas em apenas 59 dias, porque a reorganização não encontrou saída e a Justiça autorizou transformar estoque e imóveis em dinheiro
A separação entre loja e imóvel, feita em 2004, elevou os custos com aluguel que ajudaram a derrubar a rede

O que você vai ver
- Qual rede de departamentos fechou após décadas de operação em 2008.
- Por que a venda a fundos de private equity em 2004 pesou tanto depois.
- Como foi o primeiro corte de lojas assim que a falência foi pedida.
- O que a Justiça autorizou fazer com o restante da operação.
- Por que o encerramento em apenas 59 dias chama tanta atenção.
Depois de décadas como uma grande rede de departamentos, uma varejista entrou em falência e fechou 149 lojas em apenas 59 dias, desfecho que chegou quando a tentativa de reorganização não encontrou saída viável e a Justiça autorizou transformar todo o estoque e os imóveis restantes diretamente em dinheiro.
Qual rede de departamentos fechou após décadas de operação em 2008?
A empresa em questão é a Mervyns, rede de departamentos fundada por Mervin G. Morris em 1949, na Califórnia, que pediu proteção via Chapter 11 em 29 de julho de 2008, depois de 59 anos de operação contínua dentro do varejo americano de departamentos de porte médio.
Essa longevidade de quase seis décadas não impediu que a companhia chegasse a um ponto de ruptura financeira irreversível, cenário que levaria, em poucos meses, ao encerramento completo de toda a estrutura de lojas que a rede ainda mantinha em funcionamento até aquele momento.

Por que a venda a fundos de private equity em 2004 pesou tanto depois?
Em 2004, a então controladora Target Corporation vendeu a Mervyns por cerca de R$ 6,4 bilhões a três fundos de private equity, Cerberus Capital Management, Sun Capital Partners e Lubert-Adler, transação que separou a rede em duas unidades distintas, uma focada no varejo e outra concentrada nos imóveis das próprias lojas.
Essa separação entre operação varejista e propriedade imobiliária obrigou a Mervyns a passar a pagar aluguel pelas lojas que antes possuía diretamente, mudança estrutural que elevou significativamente os custos fixos da companhia e reduziu sua margem de manobra financeira nos anos que antecederam a falência.
Como foi o primeiro corte de lojas assim que a falência foi pedida?
No mesmo dia do pedido de recuperação judicial, a Mervyns anunciou o fechamento imediato de 26 de suas 176 lojas, movimento inicial que buscava estancar perdas pontuais enquanto a companhia ainda tentava viabilizar algum caminho de reorganização para o restante da rede.
Esse corte inicial deixou a empresa com 149 lojas distribuídas principalmente pela Califórnia, que concentrava 121 unidades, além de Arizona, Texas, Utah, Nevada e Novo México, distribuição geográfica que evidenciava a forte concentração regional da rede no oeste americano.
O que a Justiça autorizou fazer com o restante da operação?
Em 17 de outubro de 2008, a Mervyns confirmou um plano para encerrar as 149 lojas restantes, decisão que levou a companhia a converter o processo para Chapter 7, modalidade que, ao contrário do Chapter 11, não busca reorganizar a empresa, mas sim liquidar completamente seus ativos para pagar credores.
Essa conversão para Chapter 7 deu à Justiça americana autorização para transformar diretamente estoque, móveis e equipamentos das lojas em dinheiro por meio de liquidação total, processo que eliminou qualquer possibilidade remanescente de a Mervyns continuar operando como rede varejista em qualquer formato.

Por que o encerramento em apenas 59 dias chama tanta atenção?
O intervalo entre o pedido inicial de recuperação judicial, em 29 de julho, e a autorização final para liquidação completa, em 17 de outubro, somou apenas 59 dias, prazo extremamente curto para o encerramento de uma rede que ainda operava 149 lojas físicas simultaneamente.
Essa velocidade incomum reforça como a situação financeira da Mervyns já estava praticamente insustentável no momento do pedido de falência, cenário em que a estrutura de aluguel elevada, herdada da venda imobiliária de 2004, não deixou espaço real para qualquer tentativa prolongada de reorganização antes da liquidação definitiva.
- A Mervyns, fundada em 1949, pediu recuperação judicial em julho de 2008 após 59 anos de operação.
- A venda a fundos de private equity em 2004 separou varejo e imóveis, elevando custos com aluguel.
- A empresa fechou 149 lojas, concentradas principalmente na Califórnia, após o corte inicial de 26 unidades.
- Entre o pedido de falência e a liquidação total autorizada pela Justiça, passaram-se apenas 59 dias.
Separações entre operação varejista e patrimônio imobiliário que também elevaram custos fixos decisivamente aparecem no relato sobre a rede de artigos para casa que liquidou 371 lojas após uma reestruturação fracassada.
Mais detalhes sobre a falência da Mervyns estão disponíveis no site oficial da SEC.
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