Depois de 85 anos vendendo vitaminas, rede entra em falência e planeja fechar até 1.200 lojas, porque queda nas vendas físicas e fechamentos temporários cortaram receita enquanto dívida elevada e uma estrutura extensa pressionavam a operação
O maior fornecedor da rede também virou financiador do processo de recuperação judicial

O que você vai ver
- Qual rede de vitaminas completou 85 anos antes de pedir recuperação judicial.
- Como a empresa já vinha fechando lojas antes mesmo da pandemia.
- Quanto da dívida a empresa pretendia eliminar com o processo.
- Como funcionava o plano de dois caminhos simultâneos para a venda.
- Por que o maior fornecedor da empresa também virou financiador do processo.
Depois de 85 anos vendendo vitaminas e suplementos, uma rede entrou em falência e planejou fechar até 1.200 lojas, processo motivado pela queda nas vendas das unidades físicas, somada a fechamentos temporários que cortaram receita justamente quando dívida elevada e uma estrutura extensa de lojas já pressionavam a operação havia tempo.
Qual rede de vitaminas completou 85 anos antes de pedir recuperação judicial?
A empresa em questão é a GNC, rede especializada em vitaminas e suplementos nutricionais fundada em 1935, que pediu proteção via Chapter 11 em 2020 carregando uma estrutura de lojas que já vinha sendo reduzida havia anos diante da concorrência crescente do comércio eletrônico e de outras redes especializadas.
Essa longevidade de 85 anos no mercado de suplementos não impediu que a companhia chegasse a um ponto crítico de endividamento, cenário que a levou a buscar proteção judicial numa tentativa de reorganizar sua estrutura financeira e, ao mesmo tempo, encontrar um comprador disposto a manter parte da operação em funcionamento.
Health and wellness retail store GNC has filed for Chapter 11 bankruptcy.https://t.co/WnTxIYYjCM #bodybuilding #fitness #supplement #gnc #bankruptcy pic.twitter.com/gavBTbYWbP
— GENERATION IRON (@GenerationIron) July 9, 2020
Como a empresa já vinha fechando lojas antes mesmo da pandemia?
A GNC já havia fechado 596 lojas consideradas de baixo desempenho entre janeiro de 2018 e março de 2020, processo de redução que antecedeu em mais de dois anos o próprio pedido formal de recuperação judicial apresentado pela companhia.
Esse encolhimento gradual, iniciado bem antes da pandemia, mostra que a empresa já enfrentava dificuldades estruturais significativas na operação de lojas físicas, tendência que a chegada da crise sanitária apenas acelerou drasticamente ao eliminar temporariamente uma fonte importante de receita presencial da companhia.
Quanto da dívida a empresa pretendia eliminar com o processo?
A GNC carregava uma dívida total próxima de R$ 4,8 bilhões no momento do pedido de recuperação judicial, montante expressivo que a companhia pretendia reduzir em mais de R$ 1,6 bilhão por meio da reestruturação conduzida ao longo do próprio processo judicial.
Reduzir uma fração tão significativa da dívida total era considerado essencial para viabilizar a continuidade da operação, já que uma estrutura de capital mais enxuta tenderia a tornar a empresa financeiramente sustentável mesmo operando com um número bem menor de lojas físicas do que antes do início do processo.
Como funcionava o plano de dois caminhos simultâneos para a venda?
A GNC adotou uma estratégia de reestruturação em dois caminhos simultâneos, abordagem que combinava um acordo preliminar com credores para vender a empresa a uma afiliada de seu maior acionista por cerca de R$ 4 bilhões, mantendo ao mesmo tempo a possibilidade de receber propostas superiores num leilão supervisionado pela Justiça.
Essa estrutura dupla garantia à companhia uma oferta mínima já negociada, reduzindo o risco de ficar sem comprador algum, enquanto ainda preservava a chance de obter um valor mais alto caso outros interessados apresentassem propostas competitivas durante o período de leilão judicial conduzido ao longo do processo.

Por que o maior fornecedor da empresa também virou financiador do processo?
A GNC obteve cerca de R$ 689 milhões em novo financiamento proveniente de seu maior acionista e também da International Vitamin Corporation, justamente a maior fornecedora de produtos da própria rede, parceria que uniu investidor e fornecedor estratégico na tentativa de manter a operação funcionando durante a recuperação judicial.
Essa combinação incomum, em que o principal fornecedor de uma empresa também se torna financiador direto do processo de recuperação judicial, reforça o quanto a continuidade da GNC interessava a toda sua cadeia de suprimentos, já que o colapso total da rede também representaria perda significativa de receita para seus próprios parceiros comerciais.
- A GNC, fundada em 1935, pediu recuperação judicial em 2020 após fechar 596 lojas entre 2018 e 2020.
- A dívida total da companhia somava cerca de R$ 4,8 bilhões, com meta de reduzir mais de R$ 1,6 bilhão.
- Um plano de dois caminhos combinava acordo prévio de venda com possibilidade de leilão judicial.
- O maior fornecedor da rede também forneceu financiamento, somando cerca de R$ 689 milhões ao processo.
Processos que também combinaram negociação prévia de venda com leilão judicial supervisionado aparecem no relato sobre o gigante do varejo que entrou em recuperação ainda operando 687 lojas e 68 mil funcionários.
Essa mesma rede já apareceu por aqui sob outro recorte, no relato sobre a sócia chinesa que assumiu o controle da empresa no fim da recuperação judicial, ângulo distinto do pedido inicial de falência tratado aqui.
Mais detalhes sobre a recuperação judicial da GNC estão disponíveis no site oficial do Investing.com.
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