De somente 62 adultos para mais de 2 mil animais em duas décadas, recuperação é considerada a maior já conseguida para um felino
De 62 adultos em 2001, o lince-ibérico passou de 2 mil animais e chegou a 2.663 exemplares no censo de 2025 em Espanha e Portugal.
O lince-ibérico chegou ao início do século com apenas 62 indivíduos maduros contabilizados em 2001. Após reprodução, reintroduções e recuperação de habitat, a população passou de 2 mil animais e alcançou 2.663 exemplares no censo de 2025 em Espanha e Portugal.
Qual é o felino que chegou a restar em apenas 62 adultos?
Trata-se do lince-ibérico (Lynx pardinus), felino endêmico da Península Ibérica. Segundo a IUCN, a população havia caído para somente 62 indivíduos maduros em 2001, deixando a espécie muito próxima da extinção no começo deste século.
O declínio esteve ligado à redução do coelho-europeu, sua principal presa, à perda e fragmentação do habitat e à mortalidade causada por atividades humanas. Em 2002, a espécie chegou a ser classificada como Criticamente Ameaçada na Lista Vermelha.

Como a recuperação conseguiu avançar durante duas décadas?
O trabalho combinou proteção e restauração de matas mediterrâneas, aumento da disponibilidade de coelhos, redução de mortes em estradas e combate à caça ilegal. Programas de reprodução em cativeiro também forneceram animais para formar novos núcleos em áreas adequadas.
A IUCN destaca ainda translocações e manejo genético para ampliar a diversidade. A cooperação envolveu governos, cientistas, proprietários rurais, agricultores, caçadores, organizações ambientais e projetos LIFE da União Europeia.
Quantos linces foram devolvidos à natureza desde o início das reintroduções?
Em 2024, a IUCN informava que mais de 400 linces haviam sido reintroduzidos em áreas de Portugal e Espanha desde 2010. Os programas criaram populações fora dos poucos refúgios onde o felino havia conseguido sobreviver.
O balanço mais recente do governo espanhol registra 424 animais reintroduzidos entre 2011 e 2025. Novas áreas também começaram a receber indivíduos, ampliando progressivamente a distribuição geográfica da espécie pela Península Ibérica.
Alguns marcos mostram a dimensão da recuperação:
Por que essa recuperação é considerada histórica entre os felinos?
Ao anunciar a mudança de categoria em 2024, a IUCN reproduziu a avaliação de Francisco Javier Salcedo Ortiz, coordenador do LIFE Lynx-Connect, que classificou o resultado como a maior recuperação de uma espécie de felino já alcançada por conservação.
A comparação também exige atenção aos indicadores. Os 62 de 2001 representam indivíduos maduros, enquanto os mais de 2 mil correspondem à população total, incluindo jovens. Entre adultos maduros, o salto confirmado pela IUCN foi de 62 para 648 até 2022.
A trajetória pode ser organizada desta forma:
Onde a população está crescendo atualmente?
O Ministério para a Transição Ecológica da Espanha informou que o censo de 2025 encontrou 2.663 linces em Espanha e Portugal. O total representa novo crescimento sobre os levantamentos anteriores.
Os núcleos estão distribuídos por regiões espanholas como Andaluzia, Castilla-La Mancha e Extremadura, além de Portugal. Reintroduções recentes também avançam para Castilla y León, enquanto novas áreas são preparadas para ampliar a distribuição e reduzir o risco de concentração populacional.
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O lince-ibérico já está livre do risco de desaparecer?
A recuperação reduziu fortemente o risco, mas não encerrou as ameaças. A espécie permanece classificada como Vulnerável pela IUCN, e sua sobrevivência ainda depende da disponibilidade de coelhos, da conectividade do habitat e do controle de mortes provocadas por humanos.
Doenças, atropelamentos, caça ilegal, baixa diversidade genética e alterações climáticas continuam entre os problemas monitorados. O salto de dezenas de adultos para milhares de animais mostra o efeito da conservação, mas manter essa expansão exige proteção contínua e novos territórios adequados.
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